Opinião
A mais dura cr�tica ao cinismo reinante
Em meio a um turbilhão de posicionamentos passionais, de um lado capitaneados por tucanos e de outro por petistas, se destacou, há dois dias, um artigo escrito pelo empresário Ricardo Semler, filiado ao PSDB e eleitor confesso de Aécio Neves. Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, o texto se destaca por declarações diretas e corajosas, como ?nossa empresa [Semco] deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina? e que ?não há no mundo dos negócios quem não saiba disso?. Vai mais além avança afirmando que ?os percentuais [das propinas] caíram, foi só isso que mudou?. E destaca: ?Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas. Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito?. E conclama: ?Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido?. O posicionamento lúcido e corajoso do empresário bate frontalmente no falso moralismo e no oportunismo de foças poderosas que tentam usar o caso das denúncias de corrupção não para o restabelecimento da ética, mas para desgastar o inimigo político enquanto, simultaneamente, protege siglas e políticos amigos mais das vezes envolvidos com falcatruas muito mais danosas. No caso específico da atual onda contra a Petrobras não se mira na corrupção, mas naquelas denúncias que venham a atingir um único alvo, no caso o PT e seus aliados. Nada mais interessa. Dos vazamentos e das manchetes deles decorrentes, são meticulosamente apagados algumas siglas e nomes, ao mesmo tempo em que a pressa para incriminar petistas e seus aliados leva a irresponsabilidades como o caso da incorreta divulgação do nome de um diretor, José Carlos Cosenza, como envolvido no esquema supostamente criminoso ? para logo em seguida reconhecer o erro e retirar o nome inocente (depois de manchado) do rol de acusados. De fato, um show de hipocrisia e manipulação política que poderá, ao fim e ao cabo, comprometer toda a operação.