Opinião
Susto na terra das �guas abundantes
No passado, nem tão remoto assim, Maceió foi batizada como ?o paraíso das águas?. Razões para a consigna de antanho ainda estão presentes, pois além do generoso litoral (de praias quentes e salgadas), rios, riachos, lagoas ? um mundão d?água doce, que desde os primórdios da colonização, chamou atenção dos pioneiros, refletindo no nome ?terras das alagoas?. Naquele tempo se escrevia ?alagoa? e não ?lagoa?, o que mais corretamente seria chamada de ?laguna?, pois este termo, na geomorfologia, significa ?uma depressão de água localizada na borda litorânea, comunicando-se com o mar através de um canal?. Água, farta e exuberante, sempre foi a marca alagoana. Assim, nos últimos dias, quando a companhia responsável pelo abastecimento informou que faria uma espécie de racionamento seletivo enquanto realizava obras de limpeza e manutenção na Estação de Tratamento Pratagy, uma espécie de pavor se espalhou nas áreas afetadas. Certamente turbinada pela realidade esturricada vivida pelo estado mais rico do País, São Paulo, uma imagem de seca sertaneja se espalhou nesses segmentos da população. De nada adiantaria explicar que a falência do Sistema Cantareira nada tem a ver com a manutenção periódica do sistema de abastecimento d?água de Maceió. Um medo real permeia a sociedade informada. E, em tempos de redes sociais em ebulição, informações e fofocas abundam, transbordam de celulares, tablets e de todo tipo de computador. Todos acompanham o drama paulista. Quando circula um aviso de que o fornecimento será interrompido por um período, a sombra da seca urbana se espalha. Exagero. Mas tem a vantagem de chamar a atenção do grande público para a necessidade de poupar água, de ser racional em seu uso. Esta é a grande lição: o tempo do desperdício passou; quem não se cuidar ficará a seco. Maceió, com sua fatura ?aquática? não pode se considerar de fora da área de risco e da necessidade de racionalizar o uso da água. Este é um dos principais desafios do milênio e as áreas mais beneficiadas pela Natureza, melhores aquinhoadas com aquíferos, são as que mais correm riscos, pois suas populações se viciaram no esbanjamento. E esta cultura perniciosa precisa mudar ? enquanto há tempo de se evitar o pior.