Opinião
Solu��es h�dricas pelo mundo da seca
A escassez de água potável é algo mais grave que uma tendência, pois já se manifesta como tal em vários pontos do mundo. Desses locais, seis cidades mais afetadas estão à frente das demais em termos de experimentações em busca de novas soluções para a crise hídrica: Pequim, Perth (Austrália), Nova York, Zaragoza (Espanha), Cidade do México, Cidade do Cabo. Na capital chinesa, a opção tem sido a transposição, cuja meta é conduzir bilhões de metros cúbicos de água desde o Sul até o Norte (mais árido) ao longo de uma distância superior à que separa o Oiapoque do Chuí, via 2,5 mil km de canais, a um custo superior a US$ 60 bilhões. Considerada a cidade ?mais seca? da Austrália, Perth está montando uma poderosa estrutura de dessalinização e já retira 50% de sua água potável da água do mar. O processo, porém, é caro e consome muita energia. Já em Nova York, a proteção dos mananciais é a política da vez, em vigor desde 1990, quando o governo local mergulhou na aquisição de terras nas quais se situava nascentes de água, com o poder público garantindo a vegetação natural, assegurando assim a perenidade dos lençóis freáticos. Na espanhola Zaragoza, a luta tem como centro a conscientização e o engajamento popular em torno de metas definidas previamente. Segundo a BBC, ?a meta estabelecida em 1997, de cortar o consumo doméstico de água em mais de 1 bilhão de litros de água em um ano, foi atingida. O consumo total caiu mesmo com o aumento no número de habitantes?. Novos aquíferos têm sido o objetivo buscado na Cidade do México. Reportagem da BBC diz que as autoridades mexicanas garantem que ?até 2016, será possível saber se os aquíferos serão ou não uma alternativa de abastecimento para a megalópole. O problema, dizem, é que a perfuração, a 2 km de profundidade, deve sair muito mais cara do que perfurações de fontes mais próximas à superfície?. Por sua vez, a Cidade do Cabo, na África do Sul, investe na guerra contra o desperdício e, diz a BBC, ?um projeto-piloto de US$ 700 mil, iniciado em 2001, funcionou em duas frentes: a reforma de encanamentos ruins e a redução da pressão da água fornecida ao bairro, para evitar os vazamentos. Segundo um relatório do governo da Cidade do Cabo, o projeto custou menos de US$ 1 milhão e o investimento foi recuperado em menos de seis meses?. Qual dessas será a solução brasileira? Não é melhor prevenir?