Opinião
Quando a hipocrisia vai �s raias do histerismo
Uma das mais caras bandeiras oposicionistas dos dias em curso, a campanha contra a modificação na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) intentada pela presidenta, apesar de travada com estridência até certo ponto histérica, tem ? quem se lembraria ? um antecedente encaminhado, e aprovado sem maiores problemas, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, há 14 anos. Em resumo, nos dias atuais, a oposição vocifera ruidosamente contra gestos que ela mesma cometeu quando situação. Trata-se da ideologia de ocasião, vazia. Este é o caso do piti dos opositores de Dilma neste caso da redução da meta de superávit fiscal para ajustar a realidade às metas. Não se trata de julgar esse procedimento acima das críticas, pois não existe iniciativa política que possa passar ao largo de análises em contrário. Mas se trata de desmitificar o falso radicalismo de quem fez a mesma coisa antes. Muito bem lembrado pelo Blog do Camarotti, publicado no G1, na quarta-feira, 27, o fato é que o governo FHC agiu de forma idêntica em 2000, e hoje seus seguidores e admiradores (sinceros?) consideram essa mesma atitude um verdadeiro crime, um ?estelionato? ? como gostam de bradar. Vamos à história, pela pena do competente Gerson Camarotti: ?no governo do PSDB, a Lei 9.995, de julho de 2000 (a LDO para 2001) foi aprovada já sob a vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal e definiu a meta fiscal para o ano de 2001?. E vai mais fundo, explicando que ?em 2001, o valor previsto do resultado primário dos orçamentos fiscal e da seguridade social era de 2,60% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 32,3 bilhões? e ?posteriormente, uma nova lei (número 10.210, de 23 de março de 2001), alterou a meta de resultado primário para R$ 28,1 bilhões, o equivalente a 2,25% do PIB. Com isso, a meta do resultado primário para 2001 foi reduzida em cerca de R$ 4 bilhões, ou 0,31% do PIB?. A mesma ideia... O pior é que, segundo Camarotti, com tudo isso, ?em 2001, o resultado primário obtido pelo Governo Central foi de R$ 21,9 bilhões, o correspondente a 1,70% do PIB. Assim, mesmo com o ajuste promovido pelo governo na época, não se conseguiu cumprir a meta estabelecida?. Resta torcer para que o feito por FHC não seja repetido, integralmente, por Dilma.