Opinião
Virada festiva
MARCOS DAVI MELO * Foi uma virada de ano festiva como há tempos não se via. Aqui na província e na Corte. Se existem motivos reais para a dose extra de otimismo extravasada, seria entrar em discussão filosófica a postergar. Aqui, o grupo de companheiros das caminhadas da orla uniu-se aos seresteiros da Pitanguinha, à banda da nossa Polícia Militar e promoveu, a partir das 6 horas da manhã do último dia do ano que findava, um animadíssimo e aberto réveillon na calçada da Praia da Ponta Verde, que ultrapassou às 8 horas. Iniciamos ali ? despretensiosamente como em outros projetos, mas com apego às nossas coisas ? quem sabe, mais uma iniciativa inusitada e com cheiro de coisa da terra, que venha a trazer alegria e confraternização à nossa comunidade. Festas de réveillon noturnas são comuns, ao romper da aurora, se precisa procurar amiudadamente. No primeiro dia do ano, veio a posse de Lula. A participação popular foi emocionante e de longe o ponto alto da festa. Neste clima, não importa que os EUA, como era de se esperar, não nos tenham dado maior importância, seja na sua representação, seja na cobertura da mídia. Tivemos as representações latino-americanas, juntando as trouxas das nossas pobrezas e dos nossos maltratados orgulhos. E nacionalmente, contrastando com o gauchério, louvem-se os inúmeros cortejos nordestinos, entre os quais, destaque-se: a frente de um grupo eclético, o Homem da Meia-noite, o mais tradicional dos bonecos gigantes de Olinda. Esse ilustre cidadão habita os altos do Amparo e sai dali somente uma vez ao ano, no Sábado de Zé Pereira: para abrir oficialmente o carnaval de sua cidade. Foi uma deferência única e especial ao seu conterrâneo que se empossava Presidente da República. Sim, segundo a filosofia, existe um abismo separando os otimistas dos pessimistas. Chesterton afirmava que o otimista achava tudo bom menos o pessimista, e o pessimista achava ruim tudo, menos ele mesmo. James Cabell, por outro lado, dizia que o otimista proclamava que vivíamos no melhor mundo possível e o pessimista temia que isto fosse verdade. Certo que a realidade pode nos dar uma rasteira logo ao virar da primeira esquina e nos impor a sua crueldade. Nesta concepção, os pessimistas tendem a ser apenas espectadores deste mundo e desta vida que passa ligeirinho. Participar é essencial e, para tal, o otimismo não só ajuda, como é fundamental. Tendes saúde, tendes a esperança e as condições de enfrentar, com discernimento, não só a necessária e boa fantasia, como a inevitável realidade, bom proveito companheiro! (*) É MÉDICO