Opinião
Preju�zos do mau uso de ferramentas cidad�s
Infelizmente, uma das ferramentas que deveria ser exemplo de eficiência, a Comissão Parlamentar de Inquérito, cada dia é mais engolida pelas disputas entre grupos. Lamentavelmente, ao invés do empenho republicano em busca do completo esclarecimento dos problemas denunciados, o esforço se concentra em selecionar elementos, dentre os dados investigados, que exclusivamente venham a ser assestados contra um grupo, ou personagem, em particular. O mais incrível é que até parte dos parlamentares que deveria defender os alvos dos ataques seletivos termina sendo envolvido pelo poder de fogo de quem segue a orientação da chamada ?grande mídia? ? aliança que sempre consegue trombetear com mais vigor suas posições. CPI após CPI, a cidadania vai perdendo oportunidades de passar o País a limpo. No presente, e badaladíssimo, caso das investigações parlamentares sobre as denúncias contra a Petrobras, o grupo mais barulhento consegue, sem grande sacrifícios, concentrar o poder de fogo apenas sobre os períodos e fatos que lhes interessa, ocultando as suspeitas idênticas ocorridas noutros espaços de tempo e que venham a envolver outros atores no final da linha. Ontem, quando o indiciado Paulo Roberto Costa declarou que os atos dos quais ele estava sendo acusado de fazer eram feitos da mesma forma antes dele, anos a fio, essa acusação foi providencialmente diluída para até o período Sarney, deixando de lado o verdadeiro foco inicial do esquema hoje investigado. O cuidado da ?grande? mídia e dos parlamentares a ela vinculados é para evitar que o acusado fale algo sobre o início verdadeiro de seus ?trabalhos? em cargos de direção da Petrobrás. Funcionário desde 1978, Costa foi elevado ao primeiro posto de dirigente da Petrobras em 1995, sob as orientações políticas (como ele mesmo diz das condições para ocupar esses cargos) do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Debaixo das asas tucanas, ainda na governança FHC, graças a seus relevantes serviços prestados, Costa foi promovido a uma direção extremamente importante, a Gaspetro, onde operou de 1997 a 2000. São dados públicos e notórios, possíveis de serem encontrados, inclusive, em sites como a Wikipédia. Porque a CPI não investiga também esse período?