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Farsa e trag�dia na repeti��o hist�rica

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Um pouco de história deveria ser ingrediente básico na formação de qualquer cidadão, especialmente por parte de quem queira dar um passo a mais na seara política, seja como simples manifestante ou como militante profissional. Afinal, ?a história só se repete como farsa?, como disse aquele famoso filósofo de que defendia a participação ativa dos filósofos na transformação do mundo e não apenas na sua interpretação. E aí, justamente, mora a tragédia: a farsa da tentativa de repetição do fato histórico. Os golpes, ao longo da história do Brasil e do mundo, têm detalhes diferentes, que variam de acordo com as circunstâncias, com a correlação de forças presentes no cenário e, naturalmente, refletem também fortes traços da cultura de cada povo. Todos, porém, têm a mesma característica ? pela força bruta em parcerias com artimanhas legalistas, rompem as regras estabelecidas e mudam o rumo das coisas, ao contrário do decidido pela maioria, em benefício de uma minoria (esta, invariavelmente, derrotada em disputa imediatamente anterior). No caso brasileiro, marcado pela participação decisiva dos militares, toda ruptura da ordem democrática vigente se deu através da manu militari, mas com forte presença civil. Em 1964, as lideranças civis que se empenharam em afastar o presidente João Goulart apostaram, ao fazer o chamamento aos quartéis, em sua capacidade de controlar os golpistas fardados ? mas quebraram a cara; o principal líder oposicionista, Carlos Lacerda, foi cassado sem delongas e, anos depois, morreu sem jamais voltar a ser candidato. Muitos dos civis golpistas em 64 foram atropelados pela fera que achavam ter na coleira. Mas a lição não foi aprendida. Nos dias em curso, líderes de destaque, vários eleitos com expressivas votações para postos no parlamento e, destes, alguns também ex-vítimas da ditadura, se lançam na aventura de esquecer a história e achar, que, na farsa da repetição, desta vez, conseguirão surfar nas ondas do golpe. Apopléticos, passam a urrar contra um resultado democrático, legítimo e legal; querem reverter a derrota nas urnas pela via de um ato de força no tapetão e/ou no parlamento. Um erro trágico que está a se repetir...

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