Opinião
Quando sururu � o ant�nimo de confus�o
Depois do gol de placa representado pelo registro do Camarão do Bar das Ostras como Patrimônio Imaterial de Alagoas, um novo ícone alagoano é reconhecido em idêntico status, marcando o que pode ser um início de valorização oficial, institucional, dos grandes símbolos culturais locais. Em reunião realizada na quinta-feira, dia 11, o Estado de Alagoas, através de seu Conselho de Cultura, registrou o sururu como patrimônio alagoano. Esse reconhecimento faz parte de uma política cultural nacional voltada para perenizar valores intangíveis, ícones característicos de determinadas comunidades. Várias outras unidades da Federação, corretamente, já se adiantaram e conferiram esse status a bens culinários como o acarajé, o pão de queijo, o bolo de rolo e tantas outras marcas típicas de um povo. Verdade é que o sururu não é algo único, absolutamente original como a receita do Camarão do Bar das Ostras. Existe e faz parte dos cardápios além dos limites alagoanos, podendo ser encontrado nos estados de Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Pernambuco, Maranhão... mas é aqui que o molusco bivalve (abraçado por duas conchas) impera, soberano, como símbolo de uma cozinha. Acarajé, bolo de rolo, pão de queijo e até o queijo de Minas são produzidos à larga de Norte a Sul do País, mas não há como contestar as raízes originárias desses sabores estão fincadas na Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. O sururu é uma das caras de Alagoas. Trata-se de um de nossos símbolos mais antigos, reafirmando nas panelas as próprias lagoas que batizaram este pedaço do Brasil desde antes da própria emancipação política. É uma das heranças dos habitantes nativos, cuja dieta reforçada pelos moluscos bivalves pode ser testemunhada nos muitos sambaquis que existiram (existem?) até poucas décadas, espalhados nas margens de rios e lagoas alagoanas. Herdado dos índios, o sururu, como alimento ancestral alagoano, foi enriquecido com a seminal contribuição dos africanos, que lhes acrescentaram o leite de coco. E, assim, seculum seculorum, definitivamente alagoanizou-se, se espalhando das orlas lacustres para todo Estado. Nada mais justo que, em reconhecendo-lhe a majestade incontestável, o Estado de Alagoas tenha lhe conferido o galardão de Patrimônio Imaterial Estadual.