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SEGREDO DA TA�A

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Amigos, como dr. Fernando Guerra, instavam para que visitasse as dependências de nosso querido Centro Sportivo Alagoano. Algum tempo após deixar a presidência fui, aos poucos, afastando-me do futebol, não frequentando sequer os estádios, o que persiste até hoje. Ainda ressoavam aqueles apelos quando vi a reportagem de Fernanda Medeiros, no caderno de esportes da Gazeta de Alagoas, de 30 de novembro pretérito. Ali, destacavam-se as fotos da sala em homenagem aos ex-jogadores e da outra dedicada ao maior patrimônio do clube: seus troféus. Nela, vislumbrei na galeria dos ex-presidentes minha foto que não retrata meus 29 anos à época; só depois de uma década foi-me solicitada. Tudo isso levou-me a visitar aquele ninho que tanto prezo. Recebido por Edson Paulino, fui levado à presença do vice Milton Pereira e do presidente Roberto Mendes, parabenizando-os pela preservação do legado azulino. Na sala dos troféus lembrei de um fato pitoresco acontecido em 1973. Logo após ter assumido a presidência, convidei o CRB para concluirmos o campeonato de 1971 que estava subjudice. Acertada uma melhor de três, tornamo-nos campeões daquele ano. A noite de 25 de março de 1973 ficou gravada indelevelmente em minha memória. Em 1971 eu era vice de Dirceu Falcão e, logicamente, todo o campeonato passou-se sob seu comando ficando apenas as finais para minha gestão. Finda a última partida, chamei o vice-tudo, Aurélio Lages, pois éramos apenas três diretores ? o secretário perpétuo Floriano Ivo Júnior, Aurélio e eu ? e perguntei se não era justo levarmos o troféu até a casa de Dirceu para homenageá-lo. Após a cerimônia de entrega da taça, esperei que Aurélio fosse à tesouraria do Rei Pelé para receber nosso quinhão da renda e, em meio a toda aquela loucura da torcida, subimos na carroceria da camionete na companhia honrosa do prefeito da capital e presidente de nosso conselho, João Sampaio, desfilando pela Siqueira Campos em direção à casa de Dirceu. Chamava-me a atenção a preocupação do Aurélio com o enorme troféu. Torcedores subiam na carroceria querendo tocá-lo, outros beijá-lo e ele não desgrudava do canecão segurando principalmente sua tampa. Só na casa do Dirceu, quando descemos para mostrar-lhe seu prêmio, é que Aurélio confessou-me estar toda nossa cota do jogo dentro da taça. Não foi a primeira vez que se transportou dinheiro em lugar estranho. Só que desta, sob a égide da impulsividade e da honestidade.

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