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O maior esc�ndalo contra a Petrobras

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No ano de 1997, em plena euforia midiática com o governo Fernando Henrique Cardoso, o jornalista Paulo Francis denunciou a corrupção na Petrobras e chamou a diretoria da empresa de ?uma grande quadrilha?. Paulo Roberto Costa consolidava sua carreira como diretor, indicado pelo grupo político/familiar do presidente da República, que coroaria seu poder sobre a estatal no ano seguinte, com a nomeação do genro de FHC, David Zylbersztajn, para a Agência Nacional de Petróleo. Os esquemas ?petrolíferos? eram comentados sem tanta muita discrição, mas os principais veículos de mídia silenciavam, recusando-se a prospectar os escândalos comentados ? e até comemorados, dizem ? nas altas rodas. Os órgãos públicos que seriam responsáveis pelas investigações de malfeitos também não viam, ouviam ou falavam nada de significativo. Ousado, arrogante, Francis, cronista formado no iconoclasta O Pasquim resolveu falar abertamente aquilo comentado, por muita gente, em surdina. Estabelecido em Nova York, o comentarista do Manhattan Connection vociferou contra o que acusou de ?quadrilha? da Petrobras. Ao contrário dos dias em curso, porém, o governo FHC era totalmente blindado. A mídia mui amiga não abria espaço para denúncias sérias e como era impossível não citar nenhum escândalo dos incontáveis no período 1994-2002, vez por outra, en passant, noticiava algo para, logo em seguida, silenciar definitivamente. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça? O melhor retrato desses segmentos está na performance do engavetador-mor da República que deu fim a, nada mais nada menos, que 459 inquéritos dos 626 que recebeu, livrando dos incômodos investigativos 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, alvo de quatro inquéritos (natimortos). Definitivamente, os tempos eram outros. Paulo Francis, isolado, cercado pelo silêncio da mídia e das instituições brasileiras, foi processado pela Petrobras, e sob o temor de uma condenação, morreu de ataque cardíaco. Tamanha era (é) a blindagem dos esquemas da época de FHC que, mesmo nos dias em curso, depois de 17 anos, os intrépidos investigadores contemporâneos da corrupção na Petrobras não ousam sequer triscar nos anos 1994-2002.

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