Opinião
A sombra da racializa��o
Em 26 de abril de 2012 o STF julgou constitucional as cotas raciais nas universidades. Muitos temeram, eu entre eles, que fosse o início de um processo de racialização, coisa que até então não se via. Contudo, passados alguns anos, não tornou-se notório nenhum caso de tensão racial nos campus. Os estudantes cotistas têm bom desempenho e relacionamento com os colegas. O sucesso da nossa política de cotas deve-se ao seu caráter burocrático. Criou uma norma, mas não um discurso. O discurso do ódio racial, este sim, tem o poder de criar conflitos que podem resultar em desagregação social e violência. Os recentes protestos de rua, nos EUA, provam isso. Dois negros pobres foram vitimados por policiais brancos. A indignação é alegadamente pela decisão de não levar os casos a julgamento. O motivo real da revolta, contudo, é outro. Há não muito tempo, a decisão de inocentar O. J. Simpson, mesmo após infindável julgamento, queimou as ruas da América do mesmo jeito. A causa verdadeira dos protestos, cujos feridos e comerciantes afetados são, na maioria, negros, é o falso discurso racialista. O movimento negro convenceu a comunidade local, e a maior parte da imprensa, de que há um exterminou de jovens negros por policiais brancos em cidades como Ferguson e Nova Iorque. Quase um mini genocídio. Uma mentira perigosa, desmentida pelos números. Mais de 90% dos negros assassinados em Ferguson, assim como no resto do país, são vítimas de outros negros. O policiamento implacável adotado pelas forças policiais americanas nas ultimas 3 décadas diminuiu drasticamente a criminalidade, o que salvou a vida de milhares de jovens negros. Os excessos existem, devem ser investigados, mas em números pequenos não devem ser taxados como institucionalizados. Aprendida a lição, é com absoluto escárnio que os profissionais de saúde recebem a campanha do Ministério da Saúde contra o racismo. Baseada nos números diferentes de mortalidade entre negros e brancos no SUS, finge não saber o óbvio, que essas diferenças são causadas pela maior escolaridade e riqueza da população branca no Brasil. Diferenciar causa de conseqüência é conhecimento de ensino fundamental. Confundir as duas coisas é vergonhoso para um médico e inaceitável para um ministro. Desafio o senhor Arthur Chioro a citar um único caso de racismo conhecido e acontecido em hospital público nacional.