Opinião
Quando o rem�dio mata mais que a doen�a
Dois fatos, contraditórios, ficam cada dia mais claros nos desdobramentos da abordagem política e midiática da investigação intitulada ?Lava Jato?. O primeiro aponta para um desvio de foco, desde o início dos vazamentos seletivos, com a divulgação midiática sendo concentrada exclusivamente no político-partidário de ?fritar? o partido governista e sua então candidata à reeleição; posteriormente ao resultado das urnas, essa orientação partidarizada foi acentuada com o abandono de todas as evidências de que o denunciado pelos envolvidos incluía também políticos e partidos de oposição. O segundo aspecto, mais danoso e solerte que o primeiro, é a brutal pressão desse mesmo noticiário direcionado contra a empresa propriamente dita; de forma sistemática, foi criada e está sendo alimentada uma onda (hoje quase uma tsunami) contra a Petrobras cujo objetivo é ? ao contrário de sanear a empresa ? destroça-la quase completamente, rebaixando ao máximo sua valorização de forma que o velho anseio de a privatizar a preço de banana se torne realidade. Esses dois fatos, ululantes, correm em paralelo e se constituem, numa parceria de manipulações, no maior ataque que a empresa já sofreu em toda a sua história. O tragicômico da situação é que a grandeza das denúncias de corrupção cometida contra a Petrobras está se tornando algo ínfimo em relação ao golpe que está em pleno andamento. A escalada de desvalorização das ações, produzindo quedas em cascata com baixas nunca vistas em 15 anos (desde os tempos de FHC), está a minar empresa no curto-prazo. O que os acionistas perderam, com a desvalorização artificial das ações, não se compara, nem de longe, ao que perderão no final desse processo de ?piratização?. O que se está fazendo contra a Petrobras em nome da apuração de uma grande prejuízo causado pela corrupção é impor um prejuízo monumental, talvez irreversível, através da manipulação da opinião pública. A mais gigantesca inciativa de dilapidar a Petrobras, num movimento imensamente maior que os corruptos hoje detidos já fizeram ou poderiam vir a fazer um dia, está em curso. E o pior, o mais irônico, a maior empresa do Brasil está sendo roubada em nome do combate aos ladrões.