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Opinião

Quando o vandalismo amea�a a cidadania

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Motivos para protestar sempre existirão, assim como é justa toda a manifestação contra um ato de violência, especialmente quando uma vida é perdida. Porém, por injusta, a forma da resposta pode causar ainda mais prejuízos contra quem se revolta e, pior, prejudicando inocentes e toda uma comunidade. Este é o caso do vandalismo explodido em decorrência do assassinato do jovem José Natanael, de 16 anos. À esmo, uma horda resolveu agredir pessoas sobre as quais nenhuma suspeita recaía sobre o crime. Bens, de propriedade igualmente distintas de quem quer que pudesse estar envolvido no homicídio, foram depredados, saqueados, destruídos ao fim e ao cabo. Atos indesculpáveis de banditismo e covardia, pois a turba ?valente? investiu contra trabalhadores e trabalhadoras, inclusive ameaçando-lhes as vidas, além de vandalizar instrumentos de trabalho que, contraditoriamente, servem ao público. Um veículo pertencente ao jornalismo da Organização Arnon de Mello e um ônibus da empresa São Francisco foram escolhidos pelos marginais como bodes expiatórios de um ato com o qual nada tiveram a ver ? muito pelo contrário. Os repórteres estavam ali para retratar e denunciar a violência, e o coletivo trafegava em serviço aos moradores do bairro. Qual a valentia, qual o mérito, qual o significado de atos agressores a pessoas inocentes e em pleno trabalho? O significado básico é que, independente das causas e dos responsáveis pela morte do jovem de 16 anos, parcela da população está contaminada pelo vírus do crime e detém a certeza da impunidade. Essas atitudes de violência desmedida foram, inclusive, compartilhados em redes sociais como demonstrações de força. Os jornalistas e todos os trabalhadores responsáveis, assim como empresários e lideranças genuínas da população menos favorecida materialmente repudiam essas provas de banditismo. Mas o jornalismo não recua diante de explosões de brutalidade, venham de quem vier. Continuamos firmes na defesa do povo contra o crime organizado e contra todas as formas de violência e abuso do poder que venha a ser cometidas por agentes públicos, sejam policiais ou não. Mas igualmente não conciliamos, nem nos intimidamos com gestos de barbarismo provocados pelas camadas mais populares.

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