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Opinião

Um enorme gesto pela paz no mundo

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Para quem ama e aspira pela paz e concórdia no mundo, ontem foi um dia feliz, emblemático. Depois de meio século de inimizades, suspeitas e hostilidades mútuas, Cuba e Estados Unidos voltaram a se tratar civilizadamente. Para uma minoria antipacifista, rancorosa e (cada dia mais) fascistizante, o gesto simultâneo de Barack Obama e Raúl Castro deve ter sido o fim do mundo, uma espécie de apocalipse ao inverso. Tão icônica era essa briga cinquentenária que, nos últimos meses, manifestantes direitistas saíram às ruas brasileiras entoando o mantra da estupidez reacionária: ?Vá pra Cuba!?. O bordão tem sido berrado com estridência desde a campanha eleitoral, como se tivesse conteúdo difamante, desconhecendo que milhares de brasileiros sem nenhuma filiação, ou mesmo simpatia ideológica com a causa cubana, vão, todos os anos, para Cuba ? para curtir as belezas turísticas da ilha, sem falar nas centenas de jovens de que para lá se dirigem para estudar. Nada de mais, nem de menos, existe na invectiva, além da mediocridade de quem usa a consigna como acusação. Exatamente esse mediocridade raivosa, existente não só no Brasil, foi tomada de surpresa, talvez ódio e/ou decepção com a decisão conjunta dos presidentes de Cuba e dos Estados Unidos em retomarem o diálogo. Retomada emblemática, pois as rusgas entre o gigante americano e a ilha do Caribe, há muito, não mais têm razões para existirem. Com o fim da bipolarização herdada da II Grande Guerra, opondo o bloco americano ao bloco soviético, as motivações para a pendenga também findaram. A desintegração da URSS, iniciada em 1989 e encerrada rapidamente, liquidou, há mais de 20 anos, a principal contradição entre Havana e Washington. Apenas as obtusidades políticas/ideológicas persistentes nas duas margens separadas por apenas 176 km do mar explicavam a animosidade recíproca. Com a ajuda diplomática do Papa Francisco ? que marcou mais um golaço ? Estados Unidos e Cuba não só trocaram palavras amistosas, mas cambiaram prisioneiros políticos, além de permutarem promessas de novos avanços. Mesmo sem risco de confronto bélico real entre o gigante americano e a pequena ilha caribenha, a eliminação desse carcomido símbolo da Guerra Fria é uma das mensagens mais marcantes pela construção da Paz no mundo.

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