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Opinião

A festiva v�spera da data santificada

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Como que imutável à passagem do tempo, as celebrações desta época do ano mantêm-se firmes ano após ano. As mais diversas motivações têm permeado e se permutado ao longo dos séculos, desde tempos imemoriais. Estamos no solstício (de verão no hemisfério Sul e de inverno no hemisfério Norte), época do ano na qual a terra se encontra mais distante do sol. Nas culturas mais antigas, assim que as comunidades conseguiam perceber as particularidades desses dias, grandes festas eram realizadas, refletindo identificação, naqueles momentos (em junho e dezembro, segundo a denominação contemporânea dos meses), os sinais de mudanças climáticas essenciais para as atividades de subsistência humana. Muitos foram os deuses homenageados nessas épocas dos solstícios. Especialmente no Norte do globo, quando os invernos rigorosos davam sinais de que regrediriam, as celebrações eram mais intensas, com comida e bebida à larga. Com o advento do cristianismo na Europa, essas pândegas eram rotuladas, independentemente da divindade cultuada em cada local, como ?festas pagãs? ? e, de fato, o eram, uma vez considerado como ?pagão? todo culto exógeno aos ditames cristãos. Por volta do terceiro século depois do nascimento de Cristo, a divindade mais festejada no dia 25 de dezembro, marca do solstício de inverno, era o deus Mitra. Muito popular entre os soldados romanos, essa divindade era reverenciada em vários pontos do império comandado por Roma. O deus Sol também era festejado na mesma data, o dia do nascimento do Sol Invicto (Natalis Invicti Solis). Festa total e desbragada. No ano 350, o Papa Júlio I declarou 25 de dezembro como a data de nascimento de Cristo (até então comemorada em 6 de janeiro). Por sua vez, no ano 529, o imperador Justiniano, proclamou a data como feriado nacional romano. A festança conteve-se em suas formatações mais dionisíacas, mas a comida e bebida continuou a correr à larga até hoje, em lembrança das raízes pagãs da data, além de seu auge festivo ter sido antecipado para a noite do dia anterior ao 25 de dezembro, consolidando-se na véspera do dia santo. Hoje, portanto, é dia de festa; à noite, pois a pantagruélica celebração (como nos tempos pagãos) é uma espécie de vigília noturna em espera do despertar do Invictis Solis em seu aniversário.

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