Opinião
Momento de avaliar, refletir e semear
Depois das tradicionais comemorações da véspera de Natal, a semana restante do ano é tradicionalmente marcada por um clima de fraternidade e anseios generalizados de paz. Essa ambiência de concórdia, emblematicamente, se estende até a primeira semana do ano-novo, acompanhando o tradicional Clico Natalino, sequência de eventos iniciados em 24 de dezembro e encerrado a 6 de janeiro, conformando praticamente 15 dias de festividades consolidadas no calendário católico, especialmente no Nordeste brasileiro. Hoje, dia consagrado ao nascimento de Cristo, é momento de calmaria e reflexão, dia ameno em comparação à maior euforia que marca a véspera da Natividade. Tempo de pensar, avaliar criteriosamente o ano que se encerra e planejar o porvir, corrigindo os erros e ampliando os acertos. Hoje, de certa forma, é a abertura de um processo reflexivo, introspectivo ? calmaria que tradicionalmente é sacudida com a explosão de alegria da virada do ano. A partir desde 25 de dezembro, portanto, têm-se uma semana para por as coisas em ordem, à espera do ano que deverá ser novo verdadeiramente. Uma semana para avaliar o que fizemos até agora e planejar o que poderemos fazer em seguida é tempo de sobra para um verdadeiro esforço de ampliação do autoconhecimento e da adoção de diretrizes a seguir. Independentemente da religião de cada um, este período traz a indelével marca da pacificação, enquanto clima psicológico coletivo, produto da massificação, séculos a fio, das culturas cristãs e pré-cristãs que elegeram este período do ano como o tempo de celebrações em prol de dias melhores. O consciente coletivo, portanto, está pleno de sentimentos positivos de mudança e concórdia. Merece ser aproveitado ao máximo, independente das crenças de quem quer que seja, pois ? lançando mão de uma formulação bíblica ? este é o tempo da semeadura. Os corações e mentes estão como que arados, propícios para serem semeados. Não se pode perder tempo e deve-se correr para depositar nessas frestas as boas sementes, pois as ervas daninhas também estão atentas, prontas para ampliarem sua reprodução. Que sejam plantados nesta época o melhor da consciência social, da cidadania, da solidariedade. E que floresçam rápido.