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Opinião

Uma boa ideia sob risco de morte

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Mais um tratado da ONU nasce com sérios problemas de saúde, sob sério risco de tornar-se outra vítima da mortalidade ?infantil? que tradicionalmente alcança a maioria das bons acordos costurados por uma maioria até expressiva ? mas um tanto quanto impotente. Assim foi em relação a um dos mais notáveis documentos elaborados pelas Nações Unidas, a partilha da Palestina ? tentativa de conciliar os dois mais conhecidos ramos semíticos (judeus e árabes) dentro de fronteiras razoáveis para os estados de Israel e da Palestina. Essa proposta, criteriosamente elaborada, há 67 anos, foi simultaneamente bombardeada por israelenses e árabes palestinos, a tal ponto que hoje virou mera peça de museu. Aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, através de sua Resolução 181, de 29 de novembro de 1947, o plano foi para a UTI ?neonatal? e lá vegeta até os dias atuais, enquanto a chamada Terra Santa é regada pelo sangue judeu e palestino por décadas a fio de intolerâncias e ódios mútuos. Aparentemente, este é o destino que se descortina para o tratado sobre a venda de armas, aprovado em abril de 2013 e que entrou em vigor desde a véspera do Natal deste ano, precisamente 90 dias depois que o 50º país ratificou os termos do documento, cumprindo a meta de adesões estabelecida no projeto. Dentre as 130 nações que assinaram o acordo, estão algumas fortes exportadoras de armamento como França, Reino Unido, Alemanha e Espanha. Uma questão fundamental, entretanto, é que a ?minoria? ainda de fora dos termos do tratado é formada por alguns dos maiores produtores e exportadores de materiais bélicos, a saber: Estados Unidos, Rússia e China. Sem a adesão dessas três potências armamentistas, não há acordo antiarmamentista que se sustente. Pelo contrário, a redução dos número de países exportadores fará com que o mercado da morte e das guerras se amplie sob a soberania absoluta de um cartel poderosíssimo formado por esse trio de alto calibre. Uma pena, pois esse tratado é mais uma das boas ideias das Nações Unidas. Que bom seria se, de fato, a ONU tivesse algum poder...

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