Opinião
Quando pesos e medidas t�m valores diferentes
Em junho de 2005 veio à tona o chamado ?Mensalão Tucano?, cujo epicentro foi localizado em Minas Gerais, em torno do então governador daquele estado, Eduardo Azeredo. Parte dos delitos descobertos pelas investigações ocorreram ainda no ano de 1998, quando da eleição de Azeredo ao governo mineiro. O esquema, segundo o inquérito, teria sido montado pelo empresário Marcos Valério, que posteriormente seria envolvido (processado e condenado) na montagem de teia semelhante em benefício dos dirigentes do PT e alguns políticos aliados. Um dos fatos que chamam a atenção de quem se preocupa com a verdade e a ética é que o processo semelhante direcionado contra os petistas foi julgado muito antes do ?valerioduto tucano?; afinal, os acontecimentos que terminaram levando nomes expressivos do PT à cadeia, além de empresários conhecidos, ocorreram apenas entre 2005 e 2006. Outra discrepância entre os dois processos-gêmeos é que o ?mensalão mineiro? já não mais está na alçada do Supremo Tribunal Federal, onde deu entrada em novembro de 2007, tendo sido remetido à primeira instância em 2014, e, desde então, repousa nos escaninhos da justiça mineira, sem data para julgamento, e sem ser incomodado pela chamada ?grande mídia?. Quanto ao ?mensalão petista? é desnecessário relembrar o estardalhaço da cobertura jornalística e pela dureza das condenações. Em verdade, ambos os processos diziam respeito à pratica do famigerado Caixa 2, posto ?mensalão? ser um termo só possível de ser aplicado às denúncias de compra de voto, pelos tucanos, para aprovação da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, em janeiro de 1997 (quando o preço do voto teria sido de tal envergadura que o pagamento viria a ser dividido em prestações mensais). Os dois inquéritos posteriormente apelidados de ?mensalões? não tinham como fulcro a aprovação de um único projeto, nem a divisão mensal de pagamentos por um posicionamento exclusivo; ambos trataram da distribuição de recursos irregulares entre integrantes da chamada ?base aliada?. Ambos deveriam ser julgados de forma idêntica ? mas a versão tucana vai completar uma década sem nada de significativo. E sobre o verdadeiro mensalão? Em janeiro de 2015 completará a maioridade: 18 anos, no mais completo olvido e silêncio da ?grande mídia?.