loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Colunas da paz

Ouvir
Compartilhar

DOM EDVALDO G. AMARAL * Conforme tradição firmada já por muitos anos, o papa enviou aos governantes e homens de boa vontade de todo o mundo, neste 1º de janeiro, uma mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz. A deste ano foi intitulada ?Pacem in terris - um compromisso permanente?. O título refere-se à Encíclica do Beato João 23 ?Pacem in terris? - Paz na Terra, que está completando 40 anos, por ter sido lançada no dia 11 de abril de 1963 e que também foi dirigida a todas ?as pessoas de boa vontade? do mundo. ?A paz na terra, anseio profundo dos homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar, senão no pleno respeito à ordem instituída por Deus? - dizia na época o bom e santo papa João. Na verdade, o mundo de João 23 encontrava-se numa situação de profunda desordem. O século 20 começara com grande expectativa de progresso, sucedendo ao ?século das luzes?. Acreditava-se no pleno e ininterrupto progresso da humanidade, com as luzes da industrialização e a vitória sobre os males sociais e das doenças, graças aos avanços da técnica e da medicina. Na verdade, o que se viu foi, de 1914 a 1945, duas destruidoras guerras mundiais, com seu cortejo de abomináveis crimes contra a humanidade, com suas câmaras de gás e seus morticínios em massa. Seguiram-se a guerra da Coréia, a do Vietnã, os conflitos na Palestina e na Irlanda, a guerra civil da Iugoslávia e conflitos na África, como Angola, e tantos outros. No campo social, a afirmação de devastadores sistemas totalitários, que foram pretexto para as guerras de destruição, a acumulação de imensos sofrimentos humanos e o desencadeamento contra a Igreja da maior perseguição da história, promovida pelo regime comunista. Apenas dois anos antes da encíclica de João 23, em 1961, erguera-se o muro de Berlim, símbolo material da guerra fria e da divisão da cidade e do mundo em dois pólos antagônicos, que disputavam o domínio do planeta. João Paulo 2º retoma o ensinamento de seu santo predecessor, sintetizando-o e atualizando-o para as necessidades de nosso tempo. Diz ele em sua mensagem deste ano: ?João 23 não concordava com os que consideravam impossível a paz. Mediante sua Encíclica, fez com que este valor fundamental batesse à porta de ambos os lados daquele muro e de todos os muros. Espírito clarividente que era, João 23 identificou como condições essenciais da paz quatro exigências concretas da alma humana, que podemos chamar as quatro colunas da paz : a verdade, a justiça, o amor e a liberdade?. ?A verdade, continua a mensagem citando João 23, será fundamento da paz, se cada indivíduo honestamente tomar consciência, não só dos próprios direitos, mas também dos seus deveres para com os outros. A justiça edificará a paz, se cada um respeitar concretamente os direitos alheios e se esforçar por cumprir os próprios deveres para com os demais. O amor será fermento de paz, se as pessoas sentirem como próprias as necessidades dos outros e partilharem com eles o que possuem, a começar pelos valores do espírito. Finalmente, a liberdade alimentará e fará frutificar a paz, se os indivíduos, na escolha dos meios para alcançá-la, seguirem a razão e assumirem corajosamente a responsabilidade dos próprios atos?. Nosso país começa nova era, cheia de esperanças, que pedimos a Deus não sejam frustradas. Precisamos de justiça para termos paz. ?Justiça e paz se abraçam?- lembra o salmo 85, 11 . Se não houver justiça para o trabalhador do campo sem terra, se não for reconhecida a pretensão do pobre, lesado em seus direitos e que não pode pagar um bom advogado, se excluídos e marginalizados de todos os tipos não obtiverem justiça pronta e eficaz, não haverá paz! (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

Relacionadas