Opinião
Quando o feiti�o vira contra o feiticeiro
Furibunda, a hebdomadária mais badalada do Brasil, cravou as presas venenosas na própria língua bifurcada, ao publicar o resultado de uma pesquisa encomendada por ela própria. O mote da enquete, que se repete há alguns anos, é julgar os parlamentares mais atuantes ? no caso, no Senado. Dados tabulados pela empresa contratada para o estudo, não podia dar outra: o senador escandalosamente apoiado pela revista tirou nota zero (!). O pior é que a arrogante publicação tentou ?justificar? a nota zero de seu apadrinhado. Aí a emenda ficou pior que o soneto, pois a explicação esfarrapada tentava explicar que o faceiro senador havia sido reprovado no teste por conta de sua dedicação à campanha. A editora abriu, nesse caso, mais uma escala, rasgando a malha que vestia, pois os dois primeiros colocados na lista também estavam envolvidos em campanhas eleitorais no mesmo período, da mesma forma como outros senadores bem situados na pesquisa. Veja bem: Desmentiu-se a si própria, mas parece que a semanária pouco liga para isso. Mirando-se mais atrás no próprio histórico dessas mesmas pesquisas, veremos que o mesmo senador mineiro, na enquete referente a 2013, amealhou vergonhosos 3,8 na caderneta. Veja bem que naquele ano não aconteceram campanhas de quaisquer tipos. E mais, em 2011, outro ano sem eleições, quando do início da pesquisa, o senador querido da casa sequer foi citado (o que equivaleu, na prática, a outro zero). Não se trata de aqui espicaçar o senador mineiro. Sem dúvida que ele é uma liderança expressiva, e a votação a ele conferida pelo eleitorado brasileiro em 2014, é consagradora: 51.038.023 sufrágios. Igualmente não se trata de endeusar a pesquisa realizada, pois sempre encontrar-se-á parâmetros que podem ser questionados, o que faz oscilar as médias auferidas pelos pesquisados. Do que se trata, então? De desmascarar a manipulação editorial destinada a artificializar lideranças e conduzir a opinião pública, pois como a mentira tem perna curta, o tropeço causado pela ânsia, é inevitável. O super-candidato tucano em 2014, recheado de méritos parlamentares e políticos que a revista criou por conta e risco, é um ídolo dos pés de barro. Veja que coisa: a revista pisou no próprio rabo.