Opinião
Governo e Nordeste
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou a maioria dos seus ministros e outros colaboradores do governo para mostrá-los os efeitos da miséria e da fome no País, justamente no Nordeste e no Vale do Jequitinhonha. Serão apenas poucas horas para observações no roteiro a ser cumprido, hoje e amanhã, pela comitiva presidencial, mas o suficiente para aumentar a nova onda de otimismo no País. A caravana visitará a vila Irmã Dulce, na periferia de Teresina, no Piauí, a favela de palafita Brasília Teimosa, em Recife, e a cidade mineira de Itinga, cujos moradores vivem os mesmos problemas da maioria das populações destes e demais estados brasileiros. E de outras regiões do mundo onde, a exemplo do Brasil, as questões sociais precisam ser tratadas com a devida prioridade, mediante ações de resultados duradouros. Cumpre o presidente Lula, com esta primeira viagem pelo País, depois da posse, mais um compromisso de campanha, trazendo com ele, ao Nordeste, provavelmente, o maior número de integrantes do governo desde a visita que o imperador Dom Pedro II fez a algumas das então províncias da região, entre as quais Alagoas. Este fato histórico não pode deixar de ter como conseqüências a curto, médio e longo prazos, medidas efetivas destinadas a reverter os humilhantes indicadores que persistem em relação à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho. E a outras muitas formas de desatenção, agressões e abusos contra a cidadania. Mesmo sendo escasso o tempo programado, desta feita, para as anotações e contatos in loco pelas autoridades do governo federal, acerca dos enormes desafios nacionais no campo social, será fácil constatar que são da maior gravidade as carências antigas, novas e crescentes, em quase tudo, dos lugares a serem visitados nestes dois dias. Elas são piores nesses três Estados mais castigados atualmente pela seca, mas também dos demais do Nordeste. E o próprio presidente sabe, como nordestino que é, que o cenário do Nordeste seria outro, não este que ele conhece desde criança, se esta região não estivesse à espera, até hoje, do cumprimento das promessas de tratamento justo por parte da União, feitas e repetidas ao longo de décadas nas épocas de eleição.