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Opinião

NO M�NIMO, A PAZ

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A posse da presidente Dilma Rousseff e o anúncio do valor do novo salário mínimo: dois fatos significativos e intrinsicamente ligados que marcam o primeiro dos 365 dias de 2015. Comemoram os trabalhadores. Desde o primeiro mandato do presidente Lula, o governo adotou a valorização do salário mínimo como política, a contragosto do chamado mercado e da sempre emergente classe média brasileira. O mínimo passa agora para R$ 788,00, algo perto de 300 dólares, o que traz alento para o consumo (também uma opção de governo para impulsionar a economia), mas carrega junto aumento de inflação. Trata-se de uma equação difícil de fechar, mas que o governo habilmente mantém sob controle: basta ver que a inflação não disparou ? e os mais pobres podem pôr comida na mesa. Medidas econômicas com efeitos políticos. Não dá para dissociar política de economia. Portanto, o discurso retrógrado ?detesto política? revela-se um contrassenso, principalmente num país como o Brasil, onde atitudes políticas podem provocar profundas alterações econômicas. Quando Juscelino Kubitschek transferiu, num gesto político a capital da Nação para Brasília mudou economicamente (e para sempre) o País. Causa espanto o que se vê hoje em dia nas mesas de bares, nas redes sociais: pessoas que dizem detestar política desancando políticos por conta das medidas econômicas que tomam, principalmente se essas forem em defesa dos trabalhadores, dos excluídos, da minoria. E haja falação preconceituosa contra os venezuelanos, bolivianos, cubanos e até contra nós, brasileiros (o que se disse sobe os nordestinos depois da vitória da presidente Dilma chegou às raias do absurdo, com toques fascistas, separatistas, genocidas até). Mal sabem eles que a intolerância é o terreno propício para a ascensão dos regimes de força, do militarismo, da perda das liberdades democráticas. Só quem passou por isso sabe o que é viver sem voz, o que significa ser preso apenas por pensar diferente dos mandatários. As conquistas que obtivemos ao longo das últimas décadas advieram de um duro processo de conscientização de que o coletivo se impõe sobre o individual. Um governo popular pensa e age assim. As medidas econômicas adotadas caminham nessa direção, ao encontro do povo. Sentar em frente a um computador e digitar impropérios aos pobres não vai fazer deste País um lugar melhor. Precisamos desarmar os espíritos e abraçar um ano de paz.

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