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Nº 5716
Opinião

Fam�lia e Bio�tica

DOM EDVALDO G. AMARAL * Na primeira semana de fevereiro, próximo passado, 126 bispos, provindos de todos os pontos do Brasil, estiveram no Alto do Sumaré, no Rio de Janeiro, participando mais uma vez do curso de Teologia para Bispos, promovido já pela 12

Por | Edição do dia 03/03/2002 - Matéria atualizada em 03/03/2002 às 00h00

DOM EDVALDO G. AMARAL * Na primeira semana de fevereiro, próximo passado, 126 bispos, provindos de todos os pontos do Brasil, estiveram no Alto do Sumaré, no Rio de Janeiro, participando mais uma vez do curso de Teologia para Bispos, promovido já pela 12ª vez pela Arquidiocese do Rio. Tema deste ano: Família e Bioética. Professores: o cardeal Afonso Lopez Trujillo, presidente do Pontifício Conselho para a Família, o arcebispo de Ferrara, mons. Caffarra, ex-presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para a Família e outros nesse nível, como o Fundador do Centro de Bioética de Roma, mons. Sgreccia, e ainda um médico do Instituto da Família e um consultor da Pontifícia Academia de Ciências. Afinal, as maiores competências mundiais em assunto de família e bioética. Claro que na visão cristã. Com as últimas conquistas no campo da medicina relativas à procriação humana, a bioética cristã enfrenta novos e árduos desafios. Os pontos básicos são simples. A moral cristã reconhece a família como instituição natural, monogâmica, heterosse-xual e fecunda. O matrimônio entre dois cristãos é sempre sacramento – isto é, ato sagrado – e só pode ser fundado no amor. O filósofo grego Platão ensinava que ter filhos é essencial para o futuro da sociedade. Não é verdade que a superpopulação é característica do subdesenvolvimento. Temos países ricos e populosos e países pobres de pouca população. O nazismo pretendeu exercer um completo controle da transmissão da vida na família; quantitativa, estabelecendo cotas de crescimento da população: qualitativa, na busca da eugenia. E ensinava que o corpo pertence ao Estado e não ao indivíduo, e, por isso, a sexualidade deve ser administrada pelo poder público. Se para Marx, a luta de classes era entre proletários e capitalistas, para Engels a verdadeira luta de classes era entre o homem e a mulher no matrimônio. Hoje se fala que para a saúde reprodutiva é necessário usar os meios que o avanço da ciência oferece: o aborto, a contracepção e a pílula do dia seguinte. Para destruir a família heterossexual e fecunda, afirma-se que pertencer a um sexo determinado é coisa ultrapassada. Para nós, cristãos, ser homem ou ser mulher não são qualidades acidentais ao nosso ser pessoa. Ao contrário, afirmamos que a linguagem da pessoa é o corpo. Com a permissividade absoluta, temos como conseqüência a privatização da família, que deixaria assim de ser célula-mater da sociedade para ser assunto privado. E daí, temos as uniões consensuais livres, uniões de fato, sem nenhuma estabilidade legal. Na Itália, pretende-se que o divórcio seja feito apenas com uma comunicação em cartório, sem recurso à Justiça. Neste quadro de idéias, a procriação ao invés de ser ato humano, enobrecido pelo amor, que gera, acolhe e forma os filhos para assumirem sua condição humana e serem pessoas, seria apenas um mero ato de laboratório com uma produção planejada e controlada, igual a qualquer outra ação científica. Seja a insemi-nação como a fecundação artificial, a clonação de seres humanos como a partenogênese são técnicas de engenharia genética, que pretendem substituir o ato humano, natural e santificado por Deus. O que a fé nos ensina é que Deus cumpre no corpo da mulher grávida o seu ato criativo e celebra nela a liturgia da criação, perenizando-a. Os embriões humanos congelados para serem objetos de experiências científicas repugnam a nossa consciência cristã, porque eles são pessoas humanas, que serão descartados e imolados, conforme a conveniência do cientista, que os manipula. O homem está querendo “brincar de Deus”, mas as conseqüências dessa manipulação da vida humana, no que ela tem de mais sagrado, são pavorosas. (*) É ARCEBISPO DE MACEIÓ

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