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Nº 5715
Opinião

Padrinhos da dengue

Em sua edição de sexta-feira, 1o  de março, a GAZETA noticiava as  preocupações da Secretaria Estadual da Saúde acerca da constatação do aumento das ocorrências  do mosquito transmissor da dengue em Maceió. O alerta foi dado pelo secretário estadual da S

Por | Edição do dia 03/03/2002 - Matéria atualizada em 03/03/2002 às 00h00

Em sua edição de sexta-feira, 1o  de março, a GAZETA noticiava as  preocupações da Secretaria Estadual da Saúde acerca da constatação do aumento das ocorrências  do mosquito transmissor da dengue em Maceió. O alerta foi dado pelo secretário estadual da Saúde, que reconheceu as condições propícias de  proliferação do Aedes aegypti na Capital alagoana. Segundo o divulgado pela Secretaria da Saúde, a infestação do mosquito transmissor da dengue em Maceió já é cinco vezes superior ao índice estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o tolerável para o controle da doença. A OMS indica  uma presença do Aedes em 1% e a Capital já está com 5%. O Núcleo Estadual de Vigilância Epidemiológica identifica a presença do vetor da dengue nos 102 municípios alagoanos. Os alertas dos responsáveis pela saúde pública, a alta qualificação profissional e a seriedade dos profissionais do setor. Essa competência já havia sido registrada desde 1994, quando a equipe do então ministro da Saúde, Adib Jatene, apresentou um plano completo para a erradicação da dengue e do mosquito transmissor da doença. A competência, respaldo científico e espírito cidadão dos técnicos da saúde pública no Brasil, foram atropeladas, porém, pela incompetência, ignorância e alma politiqueira dos que ousaram transformar o Ministério da Saúde num mero comitê eleitoreiro. Quando o governo FHC, através de José Serra, engavetou o projeto de erradicação do dengue cometeu um ato nefasto cujas conseqüências afloram agora. Como no caso da crise energética, ignoraram os avisos sobre o risco e apostaram apenas na sorte, torcendo para que as bombas de efeito retardado explodissem depois das eleições de 2002. Erraram e o povo está pagando o pato. Apenas no Rio de Janeiro é prevista a ocorrência de 1 milhão de casos de dengue até maio. O mais doentio de tudo isso é que os responsáveis por essa tragédia ainda posam de bons moços e insistem em suas pretensões eleitoreiras como se nenhuma culpa tivessem em cartório. Apostam na falência da cidadania, no imobilismo político. Mas o povo terá, logo mais, a chance de uma resposta.

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