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TRIBUTO A ALDEMAR PAIVA

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Em 1968, fui apresentado a Aldemar Paiva e sua esposa Angelita?. Emocionado, relembrei ao casal a minha infância, quando acompanhava meu pai que era ouvinte assíduo do tradicional Programa Pernambuco você é meu, de Aldemar. Em certo momento da nossa conversa, ele disse: ?quero ver se você é tão bom quanto o seu pai, que era um excelente músico?. Foi então que eu o acompanhei ao violão quando ele cantou Pajuçara. Fui aprovado pelo mestre e fiquei orgulhoso. Eu e Aldemar firmamos estreita amizade, que durou anos. Passei a chamá-lo de comendador. Frequentei, a residência dele no Rio Doce, em Olinda, onde existia a Praça dos Paivas. Estive presente em todos os lançamentos de seus livros e CD?s e, em algumas apresentações, no Teatro Santa Izabel, como o evento ?Encontro no Céu de Capiba, com Nelson Ferreira?. É de cortar o coração a perda de Aldemar Paiva, que teve a inspiração de escrever pérolas como esta: ?Saudade, é isso que a gente sente / Saudade, é falta que faz a gente/ alguém que partiu/ Alguém que morreu/ Alguém que o coração não esqueceu?. É doloroso para aqueles que ficam, mas, talvez para os que partem, não seja tão ruim se libertar do magnetismo que nos prende ao solo. . Em 1947, Maceió era denominada a ?capital muda do Brasil?, por não ter uma emissora de rádio. Então, o governador Silvestre Péricles convidou Aldemar para fundar a Rádio Difusora, que foi inaugurada em 16 de setembro de 1948. O inesquecível Aldemar Paiva, para quem não sabe, criou o programa humorístico ?Escolinha do professor Raimundo?. Chico Anísio convidou-o para apresentar sua criação no Rio de Janeiro, porém ele não aceitou, preferindo ficar no Recife. ?Pajuçara é o lugar onde o mar beija a areia, com mais alma e mais amor, que tem uma beleza rara?... Lindas palavras escritas pelo pranteado e cantadas por belas vozes. Famosas marchas carnavalescas e frevos pernambucanos também foram compostos por Aldemar, em parceria com grandes compositores do Recife, entre eles, Capiba e Nelson Ferreira. Sentimos muito a minúscula homenagem até agora ofertada a esse grande homem. Como tantos personagens que escreveram seu nome na história, Aldemar honrou sua passagem entre nós. Presto aqui o meu tributo a esse ilustre conterrâneo que dignificou Alagoas, com seu dom artístico e brilhante senso de humor. Adeus, cidadão do mundo, rei do monólogo, homem multimídia, que foi tema de livro e fundador da nossa primeira estação de rádio.

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