Opinião
Ver�o engarrafado
MARCOS DAVI MELO * A cidade estava repleta, alegre, e quem deixava Maceió no último fim de semana com destino ao Litoral Sul já começava a se deliciar com a paisagem da Pajuçara. Ao sabor do vento, ondulante procissão de jangadas levava os turistas para a piscina natural e outra os trazia, em duplo cortejo, incessante e harmonioso. Tudo prenunciava um dia esplêndido. Sol firme, mar plácido, azul e de águas mornas, chamando para um mergulho restaurador. No som do carro, Claudionor Germano já ensaiava os primeiros frevos de bloco, que nos levariam em suave embalo até a Barra de São Miguel. Entretanto, nas proximidades das Lojas Americanas, já acontecia o primeiro engarrafamento. Os canteiros centrais muito se alargaram naquela esquina da avenida. Com a plausível justificativa de embelezá-la, todavia, tornando-a mais estreita. Louvem-se os arquitetos e paisagistas, mas sacrificar a funcionalidade pela beleza pode ser uma temeridade a necessitar reparo em pouco tempo. Vamos torcer que não... A esperança que aquele fosse o único obstáculo a retardar a chegada às praias, logo frustrou-se. Nas proximidades da Trikem, outro engarrafamento (este gigantesco) se apresentava. Dali até o posto policial da Ilha de Santa Rita (alguns poucos quilômetros), a marcha foi a passo de tartaruga manca e levou mais de uma hora. Ali, ao contrário do que seria de se esperar, o policiamento não agilizava o fluxo de veículos. Pelo contrário. Desviava e parava os automóveis, sem maiores justificativas, retardando o trânsito e irritando desnecessariamente, tanto os nativos, que após uma semana de trabalho precisam repousar e relaxar, quanto os turistas, que pagaram caro sua estada entre nós e não tem tempo a perder, torrando seu tempo e bom humor, fechados dentro de um carro em uma estrada. A persistência deste pepino pode comprometer a temporada de verão em Maceió. Assim, enquanto não se duplicam as estradas, lutemos para que as rodovias de acesso aos litorais sul e norte estejam transitáveis nesta época. Antes que isto se reverta em propaganda negativa no esforço de guerra empreendido para alavancar o nosso turismo, vindo a empanar o impacto positivo causado pelas nossa privilegiada natureza. Querendo contribuir, sugerimos que se oriente a polícia de trânsito da Ilha de Santa Rita para agilizar o trânsito em vez de retardá-lo. Pode-se também, elevar (60 ou 70 quilômetros) os limites de velocidade das lombadas eletrônicas e coibir firmemente o uso indevido do acostamento, penalizando os motoristas infratores. O policiamento, se devidamente orientado e orientador, pode ser extremamente saudável e produtivo, resolvendo este e outros problemas. Esta é a época mais bela e atrativa de nossa terra. Quando recebemos os turistas e quando os nativos aproveitam para usufruir melhor a nossa abençoada natureza. Já em desvantagem em relação a outros estados da região na corrida pelos turistas, não podemos correr riscos suplementares e agravar a situação por dificuldades criadas por nós mesmos. Vamos agir rápido que a temporada é curta e não temos tempo a perder. (*) É MÉDICO