loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

CONTANTO QUE N�O SEJA UM DOS NOSSOS...

Ouvir
Compartilhar

Poucos são aqueles que estão preocupados com o sistema penitenciário. Como vivem os que estão lá? O que é feito para recuperá-los? Como dormem? O que comem? Assim como se deposita lixo no lixeiro, deposita-se gente em galpões para excluí-los da sociedade onde cometeram ilícitos, sem qualquer preocupação ou responsabilidade. Mas essa realidade se transforma quando um dos nossos se encaminha para aquele destino, apenas nesse momento o sistema passa a ser cruel, o espaço é considerado pequeno, desconfortável, a comida poderia ser melhor e argumenta-se que deveria se pensar em atividades para os detentos. É nítida a preocupação de melhorar o espaço em que o ente querido está alojado, o anseio de transformar essa dura realidade em dias menos amargos, mas há que se frisar, tão somente para ele. O egoísmo segue a galope e a insensatez não permite que se enxergue além do individualismo, que se veja o próximo, o humano, que seja quem for, precisa ser tratado com dignidade. Preocupar-se com os presos não significa absolvê-los dos crimes que cometeram e, muito menos, ser cúmplice, mas, apenas, compreender que o sistema foi feito para recuperá-los e a punição, extremamente severa por sinal, já é a privação da liberdade. Por que será que só quando dói na nossa carne a sensibilidade se aguça para enxergar os porões da nossa própria miséria? Os nossos sempre cometem crimes em legítima defesa ou por má influência, porém, os outros são bandidos, malvados, vagabundos. É preciso refletir que a construção de uma sociedade nova, melhor, apenas será possível quando enxergarmos o outro como o próximo, quando nos preocuparmos com o coletivo. Não podemos nos esquecer que, no nosso atual sistema penitenciário, estão depositados, tão-somente, os excluídos da sociedade, aqueles os quais nós preferimos não enxergar no cotidiano, e uns poucos escolhidos que lá são colocados apenas para saciar nosso desejo de vingança e/ou criar a falsa imagem de que punimos os que desrespeitam as normas.

Relacionadas