Opinião
O desafio de preservar os empregos
A taxa de desemprego nas regiões metropolitanas vem caindo desde que começou a ser medida. De 12,3% em 2003, caiu para 5,4% em 2013 e estava em 4,7% em outubro de 2014. O índice nacional foi de 6,8% no terceiro trimestre de 2014 e mostrou ligeira queda em relação ao terceiro trimestre de 2013 (6,9%), conforme pesquisa do IBGE. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o emprego no Brasil está crescendo de forma quantitativa e qualitativa, com aumento de empregos com carteira assinada e do rendimento real. Apesar das incertezas recentes na economia ? desaceleração e inflação renitente ?, esse ainda tem sido um dos principais trunfos do governo petista e talvez explique a o fato de o partido continuar no poder. Para efeito de comparação, no governo Fernando Henrique, o aumento da renda se deu basicamente pela estabilidade de preços; já no período Lula, isso ocorreu por força de crescimento econômico, aumento do salário mínimo, queda do desemprego e pela formalização do emprego. O avanço na redução da desigualdade durante os anos Lula/Dilma também chama atenção. O índice de Gini, um indicador internacional que mede a concentração de renda, teve redução de 11,4% entre 2002 e 2012 contra apenas 1,4% entre 1992 e 2002. Mesmo que a economia brasileira já não exiba números tão exuberantes como em anos recentes, em comparação com outros países, a taxa de desemprego no Brasil está entre as mais baixas. Levantamento do site Trading Economics mostra poucos países em situação melhor: Suíça (3,2%), Japão (3,5%) e a China (4,1%). Alguns estão em situação semelhante ou pouco pior, como México (4,7%), Alemanha (4,9%), Rússia (5,1%) e Estados Unidos (5,8%). Os países da Zona do Euro, por outro lado, estão com a taxa média de 11,5%. O grande desafio da presidente Dilma nesse segundo mandato será justamente evitar que esses índices se deteriorem, algo que alguns analistas consideram difícil, pois o governo terá de fazer um forte ajuste fiscal para equilibrar suas contas. Outras deficiências a serem superadas dizem respeito à qualidade do emprego. Os principais são o grande mercado informal, pessoas com subocupação e rendimentos médios baixos que não condizem com uma situação de pleno emprego.