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O COM�RCIO AGUENTA MAIS ESSE GOLPE?

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O ano de 2014 acabou, mas o deixou um saldo negativo para o empresariado. Nascido em meio à expectativa do aquecimento econômico, em grande parte alimentada pela realização da Copa do Mundo, o último ano do governo de Dilma Rousseff não decolou. E como herança, um novo golpe: a Medida Provisória nº 664. As novas regras para os benefícios previdenciários surgem num momento de vulnerabilidade. O empresário já administra suas contas tentando equilibrar a alta carga tributária num momento de refração econômica. A inflação cresce e as vendas não evoluem, ao passo em que o Custo Brasil só aumenta. Em termos matemáticos, os benefícios ao setor produtivo (se é que existem!) crescem em ritmo de progressão aritmética, à medida que o custo e a fome de arrecadação do governo seguem a rota da progressão geométrica. E agora, caberá lidar com os impactos gerados pela MP, especialmente em relação ao auxílio-doença. A mudança neste benefício onerará ainda mais o setor produtivo. Se antes o empregador ficava responsável pelos primeiros 15 dias da remuneração do empregado com licença médica, agora terá de arcar com o custo do dobro do período. Em outras palavras, mesmo recolhendo mensalmente uma pesada alíquota previdenciária, o empresário passa a absorver uma fração que era, até então, do governo. E enquanto as novidades ainda eram digeridas, eis que o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinaliza ?possíveis ajustes em alguns tributos?. Ao que parece, a nova gestão da Fazenda pretende ressuscitar a Contribuição Provisória por Movimentação Financeira, a famosa CPMF, e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); uma tentativa de equilibrar as contas públicas. Porém, a volta de antigos impostos não pode ser vista pelo governo como um remédio eficaz. Não são as contas públicas o problema; elas apenas refletem sua gestão. O problema é o governo. É ele quem deve responder pelos descasos e não impor mais contribuições aos empresários e à sociedade, cansados de contribuírem e nada receberem. Nossas contas estão na UTI e para reorganizá-las, o governo deveria dar exemplo e fazer muito mais do que bloquear gastos ministeriais. Deveria combater, antes tudo, a corrupção, os excessivos gastos com comissionados e as inúmeras verbas de gabinete. Os R$ 21 bilhões desviados da Petrobras cobririam os R$ 18 bilhões que o governo pretende economizar com a MP neste ano. É preciso achar uma alternativa para equilibrar os gastos sem afrontar direitos sociais e sacrificar as empresas.

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