loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

TRIBUTO A UM HOMEM DE F�

Ouvir
Compartilhar

Em janeiro de 1954, na Igreja do Coração de Jesus, em Pão de Açúcar, Odilon Amador dos Santos, 26 anos, ordenou-se padre em cerimônia celebrada pelo então Bispo de Penedo, D. Frei Felício. Nascido na Fazenda Pilões, zona rural do sertão, de propriedade dos seus pais, aos cinco anos já dividia a liberdade de criança feliz com a dor e o sofrimento da família pressionada pela crueldade dos bandidos do cangaço. Seu pai, por não aceitar ser ?acoiteiro? e ceder às exigências de Corisco e seu bando, teve a propriedade invadida e destruída sem dó por mais de uma vez. A pouca criação existente para o sustento dos sete filhos foi o alvo principal. Alguns dos irmãos foram machucados por coronhadas de fuzis. Aos oito anos, o menino Odilon perdia seus genitores. Seu Manoel morreu de desgosto! Amparado pela irmã mais velha que acabara de casar, venceu as etapas mais difíceis da vida até curvar-se diante do altar, jurando votos de doação plena à Igreja Católica. Quis o destino que a sua primeira missão fosse como padre auxiliar da matriz de Palmeira dos Índios onde pelo carisma, liderança e espírito conciliador, conquistou a comunidade que lhe dedica amor e respeito por várias gerações. Encarou com determinação um período grave da história política de Alagoas nos anos 60. Chamou pra si a responsabilidade de apaziguar ânimos dialogando, aconselhando madrugadas adentro o poderoso prefeito Robson Mendes, cunhado do então Governador Muniz Falcão. Clamava pela paz! Dentro do possível, certamente evitou que novas vidas fossem tombadas. Enxugou lágrimas de muitas mães e filhos, cujos maridos e pais foram vítimas de balas assassinas disparadas pelas metralhadoras da ?milícia de capote escuro? que sitiava a cidade. Foi testado mais uma vez quando outra tragédia se abateu sobre si. Venceu. A fé ficou ainda mais fortalecida. Sua vida foi pautada pela humildade e solidariedade aos fiéis. Servir ao próximo foi seu lema. Agora, com o peso da idade, as pernas já não obedecem ao comando do cérebro como antes. Ao completar sessenta anos de ministério, o povo de Deus numa demonstração de amor, respeito e agradecimento lotou a Catedral de Palmeira dos Índios numa noite de grande emoção para homenagear o seu eterno pastor, educador e guia espiritual, o ?monsenhor? ou o ?padre Odilon? como gosta de ser chamado.

Relacionadas