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Opinião

Mitos derrubados

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Levantamento feito com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que, pela primeira vez desde que o Bolsa Família foi criado, em 2004, houve uma queda anual no número de famílias beneficiadas. Em 2013, eram 14 milhões; no ano passado foram 14 milhões. A expectativa do governo, porém, era que houvesse um acréscimo de 500 mil famílias. Para especialistas, a razão principal nessa queda estaria nas tendências demográficas. Reduziu-se o número de filhos nas famílias, o que implica um aumento da renda per capita nos lares e, consequentemente, deixando os beneficiários fora dos padrões do programa. Ainda segundo especialistas, é provável que o patamar de 14 milhões de famílias se mantenha ou diminua conforme haja recuperação econômica. Dessa forma, o Bolsa Família teria alcançado seu limite. Os dados permitem também derrubar por terra o mito de que o Bolsa Família estimula o aumento do número de filhos. Pelo contrário, a média de fecundidade entre as mulheres mais pobres diminuiu. Análise feita com base nos Censos populacionais do IBGE em 2000 e 2010 aponta que o grupo de mulheres mais pobres apresentou recuo de 30% no número médio de filhos, enquanto a média nacional foi de 20,17%. Além de dar às mulheres mais autonomia, o Bolsa Família teve outros impactos positivos: a diminuição de partos prematuros e queda da mortalidade de menores de cinco anos. Os resultados foram atingidos graças ao acompanhamento pré-natal para gestantes e de cumprimento do calendário de vacinação para os filhos. Essas são contrapartidas obrigatórias para ingressar no programa. Os efeitos do programa também se refletiram de forma evidente também em outras nas áreas. Levantamentos mostram aumento na frequência escolar e queda da evasão de crianças e adolescentes beneficiários. Poucos programas de distribuição de renda e inclusão social foram tão comentados e analisados na história do Brasil quanto o Bolsa Família. Apesar de algumas distorções, não há como não reconhecer que o programa ajudou a melhorar as condições de vida de 50 milhões de brasileiros, a dinamizar a economia nas pequenas cidades, a reduzir expressivamente a mortalidade infantil e contribuiu para a emancipação feminina. Por isso, é apontado como exemplo para o resto do mundo.

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