Opinião
Os inimigos da longevidade
Encontro, num trabalho sobre qualidade de vida, a enumeração de fatores que podem encurtar os limites da existência humana, inimigos potenciais de uma expectativa de vida mais dilatada. São sentimentos considerados negativos: ódio, amargura, ansiedade, pessimismo, entre outros. Igualmente, fatores externos são discutidos: violência, desastres, tragédias, vida sentimental desgastada, morte de entes queridos, solidão e dificuldades financeiras. E há, ainda, as causas orgânicas: estresses prolongados, hipertensão, diabetes, depressão, doenças crônicas; e os vícios do tabagismo e do alcoolismo. Como não se pode viver dentro de uma redoma de vidro, há que se enfrentar ? no cotidiano ? conflitos e problemas que vão surgindo; é necessário encontrar um equilíbrio pessoal estável que permita sobreviver e alcançar etapas de uma idade avançada. Apenas o bom senso determina comportamento moderado e estilo de vida sem extravagância. A expectativa de vida cresceu, sensivelmente, desde a descoberta dos micróbios, vacinas, antibióticos, e diminuição da mortalidade infantil. Só para lembrar números já conhecidos, mas que dão ênfase a essas considerações, vale citar dados estatísticos sobre o crescimento da população brasileira: 30 milhões de habitantes, em 1930; 90 milhões, em 1970; 170 milhões, em 2004. Quem, dos mais velhos, não se recorda que, em 1970, no México, a seleção ?Canarinho? sagrou-se tricampeã mundial de futebol e o povo saiu às ruas para cantar: ?Noventa milhões em ação... pra frente Brasil... salve, a seleção!..? Quarenta e quatro anos são passados desde então, e, hoje, somos 202 milhões de brasileiros, 112 milhões a mais do que naquela época. Os serviços públicos não conseguiram acompanhar esse excessivo crescimento. O aumento da população de idosos pegou desprevenidos os governos, que não se prepararam para tal ocorrência, apesar das previsões. Quando mais a população necessita de assistência médica, nem sempre encontra serviços especializados disponíveis, na quantidade e na qualidade necessárias. Atenção à saúde dos idosos é um requisito da mais alta relevância no contexto do envelhecimento. ?A vida é bela e vamos usufruí-la, intensamente?, é o lema de muitos clubes da ?maior idade? ou da ?melhor idade?, como querem muitos idosos. Mais de 12% da população estão acima da faixa dos 60 anos. Segundo o Estatuto do Idoso o direito à saúde inclui a gratuidade de medicamentos, especialmente os de uso continuado (hipertensão e diabetes).