Opinião
Uma revis�o necess�ria
Dados revelados pelo Ministério da Educação mostram que os concluintes do ensino médio tiveram queda de 7,3% no desempenho da prova de matemática do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, em relação a 2013. Já em redação, a queda foi de 9,7%. O MEC pretende agora discutir a utilização dos resultados no Enem para elaborar políticas públicas para o ensino médio. De fato, parece haver um consenso de que o ensino médio no Brasil precisa ser revisto. O currículo atual é ultrapassado, extremamente carregado, com excesso de conteúdo, quase enciclopédico, formal, padronizado, com muitas disciplinas obrigatórias ? 13 no total ?, numa dinâmica que não reconhece as diferenças individuais e geográficas dos alunos. Para especialistas, o ensino médio atual não fornece ferramentas profissionais e intelectuais a contento a jovens expostos a um mundo cada vez mais competitivo e exigente. O conteúdo apresentado é baseado essencialmente no que é cobrado pelo Enem e pelos vestibulares. São muitas áreas e todas abordadas superficialmente. Isso prejudica aqueles que não pretendem seguir para o ensino superior. A grade curricular engessada, rígida e antiquada desmotiva os estudantes, numa fase da vida em que eles começam a definir competências e preferências. Atualmente, tramita no Congresso um projeto de lei que propõe alterações na Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB), permitindo aos estudantes a opção de escolher, no terceiro não do ensino médio, entre diferentes opções formativas. Dessa forma, o aluno poderia optar pela formação que mais se adapta a suas preferências e necessidades. A proposta, entretanto, enfrenta a oposição de alguns educadores, para os quais essa fragmentação reflete uma visão instrumental da educação e um enfoque na formação de mão de obra para o mercado de trabalho, em vez de uma formação integral. De qualquer forma, o ensino médio tem como objetivo expandir e consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do ensino fundamental, estimulando o pensamento crítico e científico. Além da reforma curricular, com mudança de conteúdos e métodos, é preciso também superar problemas estruturais e internos, como escolas sucateadas e professores mal remunerados.