Opinião
Vida aos jovens
Esta semana realizei os ritos fúnebres de uma jovem de 18 anos. Fui ao encontro dos parentes para ajudá-los a lidar com a situação da perda que é tão difícil. Infelizmente foi mais uma vítima do envolvimento com drogas. Morreu esfaqueada e consequentemente seus conhecidos choravam profundamente diante do ocorrido. Pelo fato de eu ser padre, sempre estou a rezar pelos mortos em enterros. Contudo, fico extremamente compadecido quando vejo que o moribundo é um jovem. Reflito bastante sobre o sentido da vida e da falta de Deus. E isto me motiva a rezar mais e tentar agir para mudar situações. Uma vez com um grupo participei de uma palestra em que mostraram o alto índice do extermínio de jovens nos últimos tempos. Confesso que fiquei impressionado e mais chocado quando vi que uma das grandes formas disso é o suicídio. Pensava então no motivo de tantos quererem tirar suas próprias vidas ou se envolverem em situações que levam à morte. Como tenho filhos espirituais de todas as idades, eu sei das dificuldades que os mais novos enfrentam e como reagem diante disso. A nossa sociedade pós-moderna é muito intimista e individualista. Faz com o que jovem busque demais uma vida de prazer aos moldes hedonistas e tenha suas experiências com superficialidade. Como é difícil encontrar aqueles com ideais e valores altos. Ao contrário, chega a ser triste conversar e observar a futilidade com que muitos projetam planos para si. Como fazer um jovem ser mais profundo? Não se deixar influenciar por aquilo que pode ser nocivo a ele? Muitas são as respostas que o leitor pode dar a estes questionamentos. Como sacerdote, minha visão parte de uma experiência religiosa, que inclusive aconteceu no início de minha juventude. Somente Deus é capaz de preencher os vazios existenciais que o jovem tanto tem, de fazê-lo tão pleno, que o resto se relativiza e aquilo que era por vezes absoluto passe a ser redimensionado e se torne pequeno. Gostaria de apresentar Cristo a cada jovem. Gostaria de tirar cada menino da dependência química, ajudar a curar os traumas de rejeição, apresentar uma vida que nenhum psicoterapeuta é capaz de oferecer. Com certeza farei o enterro de outros jovens. Porém, diante da morte, continuarei a rezar pela vida. E não há forma melhor de ter vida que ter Cristo. Ele é a vida em abundância.