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Opinião

UM CICLO VIRTUOSO PARA O NORDESTE

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Foi com a visão pioneira do engenheiro Apolônio Sales, há quase 70 anos com a adoção do decreto que criou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que se abriu uma porta para que as indústrias de base implementassem suas operações na região Nordeste. O fornecimento de energia elétrica da Chesf aos grandes consumidores industriais tinha o claro objetivo de incentivar o desenvolvimento econômico-social, modificando o amplo panorama agrícola e extrativista da região. A criação da Chesf deu o incentivo para a diversificação econômica, com o ingresso de indústrias dos setores de mineração, metalúrgicos, siderúrgicos e químicos, que têm na energia elétrica um dos seus principais custos. Ao mesmo tempo em que a Chesf se fortalecia tornando-se catalisadora da atração de investimentos para a região e um ícone de orgulho para o Nordeste, as indústrias contribuíam para o desenvolvimento de diversas cadeias produtivas. A relação trouxe como consequência a geração de empregos, tributos e divisas, contribuindo para a diminuição das desigualdades regionais do País. Com o esforço e dedicação de várias gerações de empresários como Delmiro Gouveia e homens com visão pública como o engenheiro Apolônio Sales que viu no aproveitamento das cascatas do São Francisco uma forma de transformá-la em mola propulsora do Nordeste, essa associação é responsável hoje por mais de 145 mil empregos diretos e indiretos pela indústria que movimenta uma receita anual da ordem de R$ 16 bilhões. É esta longa parceria que hoje está em xeque. Por força de lei esses contratos de fornecimento de energia elétrica tem validade até o dia 30 de junho deste ano. Caso não sejam aprovados em lei permitindo sua prorrogação, a Chesf, seus clientes e o Nordeste ficarão em situação complicada. A dificuldade da Chesf se iniciou em 2012, com a edição da MP nº 579 (posteriormente convertida na Lei 12.783/13). Embora tenha sido um esforço louvável para a redução do custo da energia elétrica para a sociedade brasileira, a medida trouxe um problema para a Chesf. A fim de viabilizar essa redução das tarifas, mais de 90% da energia das usinas já amortizadas da Chesf passou a ser entregue para as distribuidoras ao preço de custo, em torno de R$ 30/MWh, reduzindo a receita e a capacidade de investimentos da principal companhia de energia do Nordeste. As usinas hidroelétricas da Chesf representaram dois terços da energia que possibilitou a redução tarifária média de 20% para o conjunto dos brasileiros. Considerando que o consumo de energia elétrica do Nordeste representa em torno de 15% da energia no Brasil, pode-se constatar que a Região Nordeste, por meio das usinas hidroelétricas da Chesf, foi a principal viabilizadora da redução do custo de energia para todos os consumidores brasileiros.

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