Opinião
�REA ECON�MICA E O PODER
A vida nacional, em décadas passadas, foi marcada pela presença de grandes economistas que conduziram os rumos da nossa economia e influenciaram os destinos políticos do país. Personalidades como Eugênio Gudim, Roberto Campos, Celso Furtado, Delfim Neto, Henrique Simonsen, Bresser Pereira, Afonso Pastore, Lara Rezende, Pérsio Arida e tantas outras, sempre lembradas pelos altos cargos exercidos, pelas suas idéias e arte de convencimento. Estudos revelam que, os primeiros economistas brasileiros graduaram-se em Engenharia ou em Direito. Sua formação em Economia se verificou em instituições privadas e governamentais denominadas ? escolas práticas do saber econômico ?. Os destacados economistas considerados de ? extraordinária força de poder?, colaboraram com governos do passado. A professora Conceição Tavares era apontada como uma voz de oposição. As discussões foram sempre - desenvolvimento, inflação, balança de pagamentos, distribuição de renda, nível de emprego e crescimento. Os polêmicos e retumbantes Planos Econômicos marcaram o curso histórico da nação. Entre os economistas o reconhecimento unânime do valor do pensamento de Celso Furtado e de sua obra clássica ? Formação Econômica do Brasil ?, de relevo progressista. E, de uma sentença atribuída ao professor Delfim Neto ? dívida pública não se paga, administra-se. Quando se paga, afirmam outros, custa dolorosamente anos de desenvolvimento. A nomeação de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda, do segundo mandato da Presidenta Dilma, com amplos poderes e enormes expectativas políticas, restabelece ao lado do Ministro do Planejamento e do Presidente do Banco Central, o prestígio histórico da área econômica. A estratégica escolha disciplina os ímpetos da oposição diante do equilíbrio e renome do escolhido. Muitos passaram a acreditar em uma nova política econômica capaz de atrair investimentos, retomar o caminho da estabilidade e do crescimento. As revistas em circulação mostram uma troca de olhares entre a Presidenta e seu Ministro da Fazenda. Um simbólico namoro oficial entre o poder e o saber. Os brasileiros torcem para que esta aproximação seja favorável para os destinos do país.