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Um gigante combalido

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Está em estudo no Senado um projeto de lei que reúne medidas para a revitalização do Rio São Francisco e para assegurar atividades que dependem das águas dessa bacia hidrográfica. A proposta visa evitar que voltem a ocorrer situações que ganharam espaço no noticiário no ano passado, quando a principal nascente do São Francisco secou e o volume de água do rio chegou a níveis alarmantes. Entre as medidas propostas, a prioridade deverá ser a proteção das nascentes, das matas nas margens do rio e das veredas, como forma de elevar o volume de água e controlar a erosão em toda a bacia. Também deve ser reforçada a fiscalização do uso dos recursos hídricos e para conter o desmatamento, coibir captações irregulares e impedir a expansão urbana em áreas de preservação permanente. O São Francisco tem 2,7 mil quilômetros de extensão, corta cinco estados Brasileiros (MG, BA, PE, AL e SE) e sua bacia abrange 500 municípios, com uma população aproximada de 15 milhões de habitantes. Não é de hoje que chamado ?rio da integração nacional? pede socorro. Seu volume de água está diminuindo e o assoreamento está aumentando. Um rio que já foi navegável está virando uma pista de barro seco. Pela primeira vez na história, a nascente do Velho Chico, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, chegou a secar por causa do desmatamento e do fogo, que eliminaram a vegetação que retêm as águas e abastecem os lençóis freáticos. O São Francisco sofre com o assoreamento, o desmate das matas ciliares, a erosão, o sobreuso das águas, os represamentos, a poluição dos esgotos e dos efluentes industriais, a contaminação de metais pesados e os agrotóxicos. Ironicamente, a falta de água já compromete os grandes lagos das represas hidrelétricas que represam e impedem o livre fluxo das águas. Caso o modelo de dominação e exploração do rio não seja modificado, já existem especialistas que preveem a extinção desse manancial. Sem a recuperação e a revitalização do São Francisco, até mesmo o polêmico projeto da transposição estará comprometida, pois não haverá água suficiente. De nada adiantará grande investimentos para a transposição e captação de recursos hídricos, construção de adutoras, se, de forma conjunta, não forem discutidas medidas de revitalização e proteção de nossos mananciais.

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