Opinião
O anjo negro
O tango ?Anjo negro?,é como a maioria deles, triste, propenso à tragédia, sua letra declara ?A vida cortou suas azas tão cedo/ Quem pode atirar-te uma pedra/ Zombar do que és/ Se foi o mundo perverso/ Este mundo cruel?.Principal expressão cultural portenha, o tango expressa a propensão do país para o passional, para o trágico. O episódio da morte do promotor Nismam traz de volta à Argentina não só fantasmas do seu tenebroso passado --- como o cadáver embalsamado de Evita, perseguido pela ditadura militar escondendo-se em teatros pulguentos, em boates bregas, em casas de amigos, por anos a fio, até declarada a anistia que lhe permitiu o sepultamento em La Ricoleta;a Guerra das Malvinas e o sacrifício de milhares de jovens portenhos ,perverso embuste da ditadura militar para esconder o desastre econômico que forjara em suas entranhas---, como novos mal assombros, como o terrorismo. Referendando, o respeitadíssimo jornalista portenho Héctor D´amico escreveu: ?A morte de Nisman, em um país que, depois de dois séculos, não conseguiu superar o trauma de repetir sua própria história, instala o passado no presente, as mortes em que a Justiça e a política são apanhadas de surpresa?. O atentado terrorista contra o Centro Israelita há vinte anos e a abjeta negociação secreta entre Cristina Kirchner e o governo iraniano para encobrir seus autores e trocar grãos por petróleo,parece ser o real epicentro dessa morte suspeitíssima. Os estudiosos do evento suicídio elencam um variado rol de características e fatores que induziriam o ser humano a fazer parte dessa infelicitada confraria, Nismam não se enquadra em nenhuma delas.Muito pelo contrário.Tinha todas as características e fatores para quem tem tudo para e por que viver. Espremida entre uma devoção macabra ao finado Nestor e uma crise internacional,institucional e política, Cristina Kirchener, promove uma reviravolta e declara não acreditar em suicídio de Nisman:lança uma mirabolante versão que só acentua essa criseanjo negro,onde os mais lúcidos observam o risco de seguir sepultando a verdade sob os escombros do Centro Israelita. Nisman não tinha motivos para o suicídio .Mas era um anjo negro para um grupo suficientemente forte que propiciou a tragédia. É a página mais negra da nova democracia portenha,restaurada em 1983.Para o bem da Argentina, do continente latino-americano e do Brasil, a verdade precisa branquear no horizonte, custe o que custar.