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Opinião

Nem todos a favor da educa��o

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Em seu primeiro editorial de 2015, esta Gazeta conclamou a sinergia nos discursos de posse, do executivo nacional e estadual, em torno da educação. Não parece haver dúvida de que ela deve ser a ?prioridade das prioridades?. A educação, contudo, é uma unanimidade traiçoeira. Em Brasília, a estrela da festa foi a presidente do Chile, que cantou, educadamente, todo o hino nacional. Michelle Bachelet pode ter encantado os brasileiros com o gesto, mas não está agradando os Chilenos. Vindo de um primeiro mandato virtuoso sob todas as ópticas, viu sua popularidade derreter no segundo, com o lento andamento de uma prometida reforma educacional. A presidenta do Brasil, se não quiser que o novo lema seja apenas tinta gasta em faixa e cartaz, terá de enfrentar o mesmo titânico desafio. Enquanto isso, Renan Calheiros, presidindo o Congresso Nacional, sabiamente advertia: ?Essas reformas são unanimidades estáticas. Todos sabem que precisam ser feitas, mais se passam os anos e não avançam um milímetro?. Ao mesmo tempo, no Palácio dos Martírios, o governador Renan Filho corroborava essa visão estratégica anunciando uma revolução na educação em Alagoas. Se o início de 2015 mostrou que todos sabem o que precisa ser feito, o fim de 2014 mostrou, contudo, que ninguém sabe ao certo como. Outro editorial, dessa vez da Folha de São Paulo, mostrou que apenas injetar mais dinheiro na educação, como se alardeou que acontecerá com o pré-sal, não funciona. Uma pesquisa comparou municípios beneficiados com royalties de petróleo que multiplicaram enormemente o orçamento da educação e concluiu que não houve absolutamente nenhuma melhora no aprendizado em relação aos municípios vizinhos que não tiveram a ajuda do ?ouro negro?. Isso não quer dizer que mais dinheiro não ajude. Analfabetismo e evasão escolar podem sim ser resolvidos com mais dinheiro, pois demandam a contratação de mais professores e construção de escolas. Estando Alagoas na rabeira desses indicadores, conclamamos nosso bravo governador a incansavelmente caçar recursos no âmbito federal para o Estado. Já quando o assunto é qualidade, melhora real no ensino, a resistência é mais organizada e ai o colarinho do gestor fica mais apertado. Quem achou que os médicos resistiram muito às mudanças na saúde, tente fazer uma reforma verdadeira na educação, e veja o que acontece.

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