Opinião
USEIROS E VEZEIROS
Meu saudoso pai repetia um antigo ditado: com mais facilidade se pega um mentiroso que um manco. No mundo empresarial, quando não se cumpre o divulgado, é-se logo acusado de propaganda enganosa. Há alguns anos, e mais ainda nos últimos dois, o governo petista é useiro e vezeiro desta artimanha. Todos os significados de mentira não dão para definir o cerne deste desgoverno. E o faz com a cara mais limpa. Mas, logo, logo, cai a máscara. Marina Silva é enfática quando define o momento atual: ?Como a realidade desmantela o marketing eleitoral da Dilma?. Ela e Aécio, que foram atacados covardemente por aquele marketing, sabem muito bem o que sofreram para verem, pouco tempo depois, todas as supostas maldades a eles atribuídas, serem usadas exatamente por quem lhes acusava. Como diz Veja, ?Dilma começa a cumprir as promessas dos adversários?. Foi buscar, fora de todo o aparato dos partidos que a apoiam, exatamente no meio da economia liberal ou neoliberal, como queiram, um nome que tivesse a capacidade de estancar a sangria causada por ela própria e seu então Ministro da Fazenda, o pacóvio Guido Mantega. Não só parar, mas tentar levar à frente uma economia combalida, com resultados cada vez mais pífios. Qual seria a postura de um estadista diante de tal guinada? Como dizer uma coisa agora e logo depois mudar as diretrizes e não vir a público explicar os reais motivos que a levaram a tomar tais atitudes? Tem vergonha? Se queria passar uma mensagem de responsabilidade para com o mercado, tentando acalmá-lo, está cada vez mais deixando entender que a coisa não é séria. Começando pelo vergonhoso puxão de orelhas em seu ministro do Planejamento, quando este tentou explicar mudanças que seriam feitas no cálculo do salário mínimo para os próximos anos. Foi o mesmo que dizer; faça, mas não o diga que vai fazer. Ouve-se opinião de vários economistas desconfiados de que as mudanças, de fato, são para consertar os estragos, mas, a medida que recuperarem o brinquedo quebrado, voltarão às estripulias anteriores. Dão até prazo: dois anos. Tempo estimado para um leve equilíbrio da economia e, após isso, voltar a mirar no que mais lhes interessa; as eleições presidenciais e o projeto de poder a qualquer custo, tentando trazer de volta seu guru. E, assim, desmantelar tudo outra vez, continuando useiros e vezeiros do engodo.