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Opinião

O REVERSO DO VERSO: A VIDA

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Quando se chega aos 50, 60 ou 70 anos é comum que em determinado momento se faça uma reflexão sobre o que foi feito, o que passou, o que se deixou de fazer. Uma retrospectiva do que aconteceu ao longo dessa caminhada. Muitos acham que ao atingir uma dessas idades tenha-se subido os degraus de altíssima escada, e lá, do topo, estendem a vista pelos muitos chãos pisados. Uma autoavaliação, digamos assim. Reaviva-se a memória de tropeços, canseiras e dificuldades encontradas. Paralelamente, enxergam-se pontos marcados com o halo de dias felizes, pelas vitórias conquistadas. Afinal, a existência humana não é uma simples viagem através do reino da fantasia. Em algum lugar do passado localizam-se episódios que nos marcaram pelo sofrimento. Por vezes, como dizia Shakespeare, ?horas mais cruéis das quantas viram o tempo em sua lenta e eterna romaria?. A impressão que se tem é que essas horas passam vagarosamente, demoradamente, numa eternização de angústias. Como dizia o poeta: ?quem passou pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu, / quem não sentiu o frio da desgraça, quem passou pela vida e não sofreu, / foi espectro de homem, não foi homem / só passou pela vida, não viveu?. No reverso dessa medalha e em sentido bem contrário há instantes de alegria e de bom-humor, momentos de vitórias eletrizantes, confraternização e de inefável ternura; tão valiosos que vale a pena trancá-los num cofre e guardá-los com carinho. São sóis de nossas vidas, fontes de inspiração e de renovação espiritual. As horas de prazer passam rápidas, fugazes e apressadas. Vive-se uma só vez, o tempo é inexorável. O que se deseja não é só viver muito, mas viver com qualidade de vida, com conforto, com o amor dos nossos entes queridos. Minimamente, com razoáveis condições de desempenho. Nas idades mais avançadas, os acontecimentos mais recentes podem ser pouco lembrados, facilmente esquecidos e os mais antigos permanecem retidos na memória, recordados como se fossem cenas de cinema mudo. Parece até que o arquivo cerebral já se encontra saturado e rejeita novos registros. Segundo especialistas, trata-se de perda da capacidade de percepção bastante característica nos mais idosos. As folhas do calendário que já se foram e são testemunhas de muitas experiências vivenciadas. Há um nicho especial e bem destacado para o nascimento dos filhos e netos. Aí, se inicia um universo paralelo com marcas bem nítidas. Segue-se uma convivência que tem sempre altos e baixos.

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