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Setenta anos depois

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Assinalamos, numa efeméride, as sete décadas desde o falecimento, a transcorrer no próximo dia dois de fevereiro, do professor doutor Ademar de Almeida Vasconcelos, alagoano e viçosense que fez nome como médico, dentista e mestre nas duas escolas, as de medicina e odontologia, da primaz escola da Bahia, fundada por dom João VI com a transmigração da família real para o Brasil no início de 1808. Em livro que escrevi por feliz ideia de meu filho Marcos, este bem definiu, no prefácio, a minha quase devoção de sobrinho: ?Meu pai arranjou um concerto, dele fez-se maestro, orquestrou uma admiração tamanha por este nosso tio e passou a respirar tudo que dele dissesse respeito [...] A distância do tempo, o sabemos, esmaece defeitos e sobreleva qualidades?. Aos trinta e quatro anos partia para a eternidade. Internado no Hospital São Vicente, na antiga Santa Casa de Misericórdia de Maceió, acometido de febre tifoide, doença, esta, infectocontagiosa, cujo bacilo ataca, de preferência, o segmento intestinal, não tivera a sorte de lhe sorrir a descoberta, poucos semestres depois, do antibiótico cloranfenicol. Este eminente pesquisador e cientista haveria de nascer há mais de cem anos, no dia oito de maio de 1910, filho do casal Miguel Soares de Vasconcelos e Júlia de Almeida Vasconcelos; estudaria as primeiras letras em sua terra natal com os professores João Domingues Moreira, Tibúrcio Nemésio, João Leitão e Virgílio de Almeida; cursaria o secundário no Ginásio de Maceió, naquela época localizado à rua do Sol, tendo como contemporâneos seus conterrâneos Valdemar da Graça Leite e Uriel Pinheiro de Carvalho; em Salvador, aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina, colaria grau em dezembro de 1933, quando então é escolhido orador oficial da turma, de modo a proferir um discurso, intitulado ?Em busca da perfeição?, de temática atual, uma vez que discorreria em torno do aleitamento materno, da higiene na puericultura e das imunizações por vacina, o que hoje tanto o Ministério da Saúde enfatiza em suas campanhas. Dentre os colegas, teve Alcides Andrade, obstetra e político na cidade do Penedo, e Fausto Magalhães da Silveira, ambos alagoanos; além destes, os baianos, aqui radicados, Pedro Reys, radiologista e clínico, e o pediatra José Bahia. Eis a lembrança de um homem que primou pela seriedade e autenticidade no exercício das letras e das profissões; restaram a dor universal da saudade e o orgulho do exemplo de seu legado, numa vida pouco longeva.

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