Opinião
DAS M�SCARAS DE GET�LIO A CERVER�
Alguns historiadores afirmam que o Carnaval no Brasil começou logo da chegada de Pedro Álvares Cabral nas costas da Bahia, já que o portuga ao pisar o solo brazuca pela primeira vez o fez na forma de festivo e enfeitado cortejo,ornado de plumas e paetês, o que muito impressionou os indígenas, nus em pelo, a presenciar embasbacados o primeiro desfile do que mais tarde seria a maior festa popular nacional. O Carnaval tem entre seus totens, a música, a dança e as máscaras. Octávio Paz afirmava que ?Enquanto estamos vivos, não podemos escapar de máscaras e nomes. Somos inseparáveis de nossas ficções ? nossas feições?. As máscaras fascinam o homem há 9 mil anos.No teatro grego elas exerciam uma função primordial em maximizar a natureza de cada personagem. Ainda hoje são usadas no Kibuki, tradicional teatro japonês. Em Veneza, curiosamente, elas tornaram-se decorativas. Mas na Commedia Dell?arte, teatro popular, elas tinham papel primordial em permitir no anonimato, a crítica aos poderosos. Com o golpe do Estado Novo, Getúlio Vargas e o início de seu governo, o Carnaval do Brasil começa a ganhar nova configuração. Seguindo a proposta fascista que Mussolini empregava na Itália, o então presidente decidiu criar algumas ?regras carnavalescas?. Instituiu-se que todos os sambas-enredos teriam letras em homenagem à história do Brasil. Além disso, os instrumentos de sopro foram proibidos por terem origem europeia. Lamartine Babo, compositor carioca de marchinhas irreverentes, foi censurado pelo Estado Novo juntamente com outros compositores. É possível perceber o tom de deboche de Lamartine na letra da marchinha ?Parei Contigo?, onde ele dizia: ?Tu és o tipo do sujeito indefinido, carcomido que só quer tirar partido/ Meu Deus, mas é isto que se chama ser amigo? Parei contigo!?. Apesar da censura das marchinhas, Getúlio utilizava-as para seu benefício pessoal. João de Barro e José Maria de Abreu criaram, em 1950, uma marchinha com a letra:?Ai, Gegê! Ai, Gegê, que saudades/Que nós temos de você?. Das máscaras de Carnaval Getúlio não escapou; escaparam delas os generais da ditadura militar, pois não existia nenhuma graça neles. É de uma tristeza sepulcral que os advogados de Cerveró tenham intimidado as fábricas para não lançarem máscaras desse lúgubre cidadão. Não vejo também alegria nenhuma em máscara de Graça Foster. Essas figuras já são máscaras vivas a atormentar com pesadelos o cidadão brasileiro.Evoé, Momo!