Opinião
Torneiras secas
O Brasil vem enfrentando uma das piores estiagens de sua história. A realidade tão comum no Nordeste agora atinge principalmente a região Sudeste, a mais rica e populosa do País. São quatro anos em que o volume de chuvas que abastecem os reservatórios da região não acompanha a crescente demanda de uso e desperdício. Embora o racionamento não tenha sido adotado oficialmente, na prática o abastecimento de água em áreas de São Paulo já não tem regularidade. O governo do Estado responsabiliza a falta de chuva, mas técnicos criticam a falta de planejamento da administração pública. Em meio a medidas emergenciais para minimizar os efeitos desse fenômeno, a atual crise hídrica representa uma boa oportunidade para o Brasil avançar na direção de um modelo mais inteligente e eficiente de gerenciamento de recursos hídricos. É preciso tornar o Brasil não apenas o país com o maior volume de água doce superficial de rio do mundo, mas também o mais eficiente no uso dessa água. Para isso, deve-se ampliar este debate com consultas públicas e trabalhar pela implementação das medidas sugeridas. Também é necessário um amplo levantamento das técnicas mais eficientes no uso de água pelo setor agrícola. Aproximadamente 70% das águas doces em nosso país são usadas nas lavouras, nem sempre com o devido cuidado ou orientação. Outro ponto fundamental é que as companhias públicas ou privadas de água e esgoto no país também sejam mais eficientes. Não é admissível que o Brasil registre, em média, 37% ? 46% em Alagoas ? de perdas de água potável nas redes, desperdiçando preciosos recursos públicos. Por último, faz-se necessária a veiculação maciça de campanhas para incentivar o uso consciente da água. É fundamental conscientizar a população, a começar pelas crianças, que, apesar da abundância de água no planeta Terra, trata-se de um recurso natural que deve ter seu uso racionalizado, pois sua quantidade e qualidade estão sendo afetadas drasticamente em virtude das ações humanas, sobretudo pelas atividades industriais, expansão urbana, agricultura e mineração. A crise hídrica é um problema com o qual vamos ter de conviver mais intensamente daqui para frente, por isso deve ser tratada com toda a seriedade e abrangência que a questão exige.