Opinião
Hora do ajuste
O governo federal deverá enfrentar grandes desafios no Congresso Nacional este ano em relação à pauta econômica. Prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), mudança na regra para o reajuste do salário mínimo e as medidas provisórias que mudam os critérios para acessos a direitos trabalhistas e previdenciários estarão no centro do debate. São questões cruciais, pois a economia nacional passa por um momento de instabilidade e há necessidade de um grande ajuste nas contas públicas. Como salientou a presidente Dilma Rousseff na mensagem encaminhada ontem ao Congresso Nacional por ocasião do início dos trabalhos legislativos, o governo absorveu a maior parte das mudanças no cenário econômico e climático em suas contas fiscais, para preservar o emprego e a renda, mas agora chegou a um limite. Por isso, o país está diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível, criando condições para a queda da inflação e da taxa de juros, garantindo a continuidade da geração de emprego e renda. Não será uma tarefa fácil. Os sacrifícios inevitáveis nem sempre são bem compreendidos. A classe trabalhadora, por meio das centrais sindicais, já reagiu negativamente às mudanças no seguro-seguro desemprego, abono PIS/Pasep e pensões. Considera que são direitos pétreos, que podem ser ampliados, jamais limitados. Para um governo de origem trabalhista, não é fácil justificar as medidas. Outro tema delicado é mudança da regra para reajuste do salário mínimo. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, chegou a afirmar, no dia 2 de janeiro, que o Executivo enviaria ao Congresso uma nova fórmula para vigorar no período de 2016 a 2019. Por determinação da presidente Dilma, entretanto, recuou e desmentiu a informação. A regra atual permitiu uma grande valorização no piso nacional de salários. Não resta dúvida de que será necessária uma grande habilidade da equipe econômica para tentar reequilibrar as finanças e, ao mesmo tempo, preservar o máximo possível as conquistas dos últimos anos, como baixo índice de desemprego. Habilidade também imprescindível no trato com o Congresso e com o movimento sindical. Conseguindo isso, o governo poderá virar o jogo e superar esse período de instabilidade. É o que todos esperamos.