Opinião
Artes e neg�cios do lixo
O setor mundial de resíduos sólidos fechou 2013 com investimentos de US$ 20,9 bilhões. Crescendo a espantosa média de 70% ao ano, ultrapassou US$ 30 bilhões de investimentos em 2014. Os projetos líderes de recuperação energética, resíduos a partir de biomassa, processamento e reciclagem de resíduos, absorveram US$ 11,3 bilhões em 2013, contra US$ 5,6 bilhões, em 2012, e US$ 2,3 bilhões, em 2011. Toda essa velocidade de crescimento é insuficiente para atender à demanda empurrada pelo aumento na geração de resíduos e ao fato de 50% da população mundial não dispor de sistemas de coleta de resíduos, segundo dados do WWI-Worldwatch Institute, um dos mais renomados institutos de pesquisa do mundo, sediado em Washington, Estados Unidos. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) o Brasil ainda não conseguiu universalizar a coleta de resíduos sólidos urbanos e destina grande volume de resíduos a locais inadequados e precisa investir R$ 6,7 bilhões na gestão de resíduos sólidos de forma diferenciada. Enquanto na região Sul são necessários investimentos de R$ 0,05 por habitante/dia para regularizar a situação, no Nordeste o valor pula para R$ 0,14 por habitante/dia, no período de um ano. Ainda há milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos com destinação inadequada no país onde, até 2020, 90% da população viverão nas cidades (28% em favelas). Exemplos para o mundo deram os cidadãos de Borås, cidade no oeste da Suécia com 1.500 indústrias, que mantém o cobiçado título de cidade mais limpa do mundo, reaproveitando 99% dos seus resíduos: 42% incinerados e convertidos em energia elétrica, 30% transformados em biocombustível, e 27% reciclados. O 1% restante é enterrado pagando altos impostos pela utilização de aterros sanitários. Para falar das inovações e dos benefícios para o cidadão, a Universidade de Boras e empresários suecos foram convidados pelo WWI, através da Associação Comercial de Estocolmo (Stockolm Chamber of Commerce), para conhecer experiências das cidades brasileiras. Visitas às cidades de Maceió, Salvador, Curitiba e Rio estão nos planos. ?Nova York produz diariamente 11,8 toneladas de lixo e eu recolho tudo isso?, provoca Justin Gignac, um artista que faz sucesso lá recolhendo e lacrando lixo cru em pequenas caixas transparentes, transformadas em arte e vendidas por 100 dólares cada. Convidado para vir ao Brasil, Gignac poderá mostrar em Maceió como fazer arte e negócios com o lixo.