Opinião
Cultura da intoler�ncia
Levantamento da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da organização não governamental (ONG) SaferNet Brasil mostra que as denúncias relacionadas a conteúdos ilícitos na internet aumentaram 8,29% em 2014. Foram recebidas 189.211 reclamações, envolvendo 58.717 páginas distintas da web. A SaferNet Brasil destaca que as eleições e a Copa do Mundo contribuíram para o aumento do número de denúncias relacionadas a racismo, xenofobia e tráfico de pessoas. Os dados da ONG também revelam aumento de 34,15% das páginas indicadas como racistas e de 365,46% de conteúdos relacionados à xenofobia. A maioria desses sites foi criada no período eleitoral, entre 6 de julho e a semana seguinte ao segundo turno. Apenas no dia 27 de outubro, um dia após o turno final da eleição, foram recebidas 10.376 denúncias anônimas contra 6.909 links diferentes nas redes sociais. As manifestações contra nordestinos ganharam destaque. Pode-se dizer que o Brasil é, hoje, um país altamente conectado. O uso frequente da internet pode ser visto em todas as regiões do País. A depender da faixa etária, o índice de conectividade é próximo dos países mais tecnológicos do mundo, como os Estados Unidos e o Japão, por exemplo. Entretanto, essa popularização também tem seus efeitos colaterais. Um deles é a disseminação, em proporções exponenciais, de conteúdos que incitam severas discriminações. Por dar a ampla sensação de anonimato e impunidade, as redes sociais virtuais são pródigas em discursos racistas, homofóbicos, xenófobos, bairristas, intolerantes com certas religiões, hábitos, costumes e até mesmo em relação a pessoas com algum tipo de deficiência. É preciso lembrar, porém, que as redes sociais apenas refletem o que pensam determinados indivíduos ou grupos sociais. São pessoas ou comunidades que se colocam em posição superior ou diferente em relação aos outros e expressam isso da forma mais mesquinha possível. A internet deve continuar sendo um espaço livre e democrático, pois também não se pode negar seu grande potencial para o bem. Entretanto, até essa liberdade tem seus limites. É preciso combater a cultura de violência na rede inclusive por meio de campanhas que possam provocar uma mudança de comportamento. Entretanto, o caminho da justiça pode e deve ser acionado sempre que for necessário.