Opinião
Contra toda a teoria
Com o reajuste para R$ 788, o salário mínimo atingiu, em janeiro, o maior poder de compra desde agosto de 1965, de acordo com levantamento divulgado pelo Banco Central. Segundo a instituição, apenas no período entre julho de 1964 e julho de 1965 o salário mínimo comprava mais do que hoje, em valores corrigidos pela inflação. O banco destaca que a valorização do piso nacional de salários tem determinado, em parte, a elevação da renda real dos trabalhadores nos últimos anos, principalmente dos empregados que ganham menos e dos beneficiários da Previdência Social. De 2003 a 2014, o rendimento médio da população ocupada com renda de até um salário mínimo cresceu 52% a mais do que o salário mínimo. O movimento pode ser explicado pela formalização do mercado de trabalho, que atraiu profissionais que ganhavam menos que o mínimo. Não se pode deixar de lembrar que a valorização do salário mínimo, na última década, com aumentos acima da inflação, contrariou a previsão dos analistas econômicos. Diferentemente do que se costumava afirmar, a alta não provocou o aumento do desemprego ? que continua baixo ? , da informalidade e da inflação propagado pelas teorias econômicas tradicionais. Os números mostram bem isso. O desemprego diminuiu e a informalidade despencou de 43% para 22% desde então. Para especialistas, o único impacto que se verificou com a valorização do salário mínimo foi a ?expulsão? do trabalhador menos qualificado do mercado, o que pode ter levado ao aumento de pessoas que não estudam nem trabalham, além do aumento do custo de mão de obra. A política atual de valorização do salário mínimo começou a ser estudada somente em 2005, no governo Lula. Ao contrário das previsões tradicionais, o aumento impactou diretamente a base do mercado de trabalho e os rendimentos da população, resultando em alta do emprego. Isso facilitou o acesso da classe trabalhadora primeiramente a bens de consumo e depois a serviços. Milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado consumidor, com melhora na condição de vida. Em tempos de incertezas no campo econômico, o desafio do País é aumentar os investimentos para modernizar a estrutura produtiva, a fim de garantir o crescimento econômico e a geração de emprego e renda para a população.