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Opinião

ELOGIO DA PERF�DIA 3

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O maior desgosto do pérfido é com sua incompetência. Desta, não pode se livrar. Não, porque seja um tabaréu. Ao contrário esta personalidade sórdida alcança o inculto e o letrado. Sua ignorância atinge algumas áreas do conhecimento como qualquer pessoa. O que lhe falta é humildade para admitir isto de si mesmo. Por isso não suporta ser coadjuvante de uma conversa a três, quando é incompetente ao tema tratado. Fecha-se simplesmente. E no silêncio engole o fel da inveja e repensa sua trajetória com desprezo. O interlocutor é (figurativamente) um homem morto, reservado ao ostracismo. Fora de seu espaço de atuação. Longe de seus domínios. Isolado de suas relações de posse. E que não se atreva a trocar um cartão de visita, anotar um telefone ou um e-mail. E outro processo se inicia. O sepultamento da memória do interlocutor. O pérfido não divide o que é seu. Toma do outro. Rouba. Tripudia. Mas, com o mesmo vigor censura a desonestidade e condena culpado ao cadafalso. Mentir ou ocultar a verdade não é difícil quando em proveito próprio. Deixar de dizer a verdade não é mentir. Este conceito faz parte de sua cultura. O tempo lhe ensinou a dizer a verdade quando lhe é conveniente. É uma questão de não se envolver. Nunca toma partido senão para tirar vantagem. Não se revela. Não comenta o que pensa. E o silêncio só aguça-lhe a audição. Reserva-se, como num quebra-cabeça a montar a charada até descobrir o que os outros segregam. Quem não já leu sobre o caso Dreyfus. O Capitão Alfred Dreyfus, oficial de artilharia do exército francês foi, em 1894, condenado por um processo fraudulento, que mesmo depois de descoberto tentaram ocultar. Foi Èmile Zola que publicou uma carta aberta ao presidente francês com o título ?J?accuse? onde dizia: ?Como poderias querer a verdade e a justiça, quando enxovalham a tal ponto todas as tuas virtudes lendárias??. Condenado a prisão perpétua, ainda viveu seis anos na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, quando foi libertado graças a ação conjunta de Zola e muitos intelectuais da época. Tema leitor, ao pérfido, como a um animal feroz. Cercei seus passos na mesma medida. Marque seus domínios e evite-o. Espreite seus gestos e não se aproxime. Não tente domesticá-lo ou você será alcançado mortalmente.

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