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HOJE � DOMINGO DE CARNAVAL

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Em um Brasil com 220 milhões de habitantes, o seu sofrido povo deixa pra lá suas dívidas, suas angústias e suas preocupações com nossos dirigentes e procura a alegria do frevo, do samba, do axé, enquanto outros se isolam para o repouso, para a meditação e para os silêncio nos mosteiros alegrando o espírito. O carnaval de hoje já não faz parte do meu programa de vida como de muita gente da minha idade. É que o tempo passou e ficamos satisfeitos em recordar os carnavais do passado, descansando em algum lugar. Ficamos muito tristes, todos nós alagoanos saudosistas, com a ausência do Pinto da Madrugada no carnaval deste ano. Ele desfilava pelas ruas da Ponta Verde e arrastava milhares e milhares de foliões, jovens e idosos que sentiam-se felizes com a beleza das músicas do passado animando suas vidas. Meu caríssimo colega e amigo Marcos Davi, um dos seus idealizadores, me explicou a razão dessa ausência. Ficou a responsabilidade com o seu grande companheiro de sonhos, os Seresteiros da Pitanguinha, cujos bailes já são tradicionais. Os carnavais dos anos 50 e 60, aqueles que vivi com entusiasmos numa Maceió em que todos se conheciam, eram carnavais em que se misturavam a alegria e o romantismo. Havia lança-perfume que servia de início de namoro para muita gente, serpentinas, confetes, o corso pela Rua do Comércio, servindo de brincadeiras puras, sem violência, e sem drogas. E todo mundo brincava, ricos e pobres, unidos pelas músicas do frevo espalhadas pelos quatro cantos da cidade. O Baile de Máscaras realizado na Fênix era um sucesso. E aí o tempo passou! As imagens se confundem, a memória despenca de momentos vividos, despreocupados e felizes onde uma Colombina procurava realmente seu Pierrot apaixonado, com juras de amor sem pensar em sexo como nos dias atuais. Como os tempos mudaram! Atualmente, quando termina o Carnaval tristemente lemos nos jornais os índices alarmantes de prisões efetuadas, de assassinatos, de tentativas de homicídio, de roubos efetuados entres os foliões e etc. É que o mundo vai mudando e as pessoas esquecem que a vida é uma passagem. Lembre-se, meu caro leitor, que depois do Carnaval a vida continua. Haverá sempre um nascer do sol para um novo dia. E procure viver de olhos bem abertos para tudo o que é belo ao seu redor e seja sempre feliz, ouvindo ao entardecer o canto dos pássaros, assistindo a chegada da lua e das estrelas. E procure manter a vida com alegria. Aproveito este espaço para parabenizar minha estimada amiga e companheira de Academia Alagoana de Letras D. Lysette Lyra, que irá completar 93 anos no próximo dia 28. É um exemplo de ser humano que sabe realmente viver a vida em plenitude.

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